O Flamengo de Filipe Luís se prepara para entrar em campo neste sábado, 13 de dezembro, pela Copa Challenger — a semifinal do Intercontinental 2025. O duelo traz consigo uma curiosidade estatística: será apenas a segunda vez em toda a história que o Rubro-Negro enfrentará uma equipe egípcia. Mas não é só de sotaque árabe que vive a agenda do Mais Querido, que também vê ressurgir no horizonte o clássico confronto contra o Remo, resgatando memórias de um futebol de outras décadas.
O retrospecto contra os egípcios e a lembrança de Marrocos
Há pouco mais de dois anos, o cenário era o Marrocos. Naquela ocasião, o Fla voltava ao Mundial após o vice-campeonato de 2019 contra o Liverpool. Sob o comando de Vítor Pereira, a estreia em 2023 foi um balde de água fria: derrota por 3 a 2 para o Al-Hilal e o adeus precoce ao sonho do título. Restou a disputa pelo terceiro lugar contra o gigante Al-Ahly.
Aquele jogo foi uma verdadeira montanha-russa. O Flamengo saiu na frente com Gabigol, de pênalti, mas viu os egípcios virarem com dois gols de Ahmed Abdelkader. A reação veio na base do talento individual e do fôlego daquela equipe: Pedro empatou aos 32 do segundo tempo, Gabigol — novamente na marca da cal — garantiu a virada, e Pedro selou o caixão nos acréscimos. O bronze ficou com o Mengão, mas o gosto era de que poderia ter sido mais.
Agora, o adversário é o Pyramids. Diferente do tradicional Al-Ahly, o clube fundado em 2008 vive sua primeira incursão em nível mundial e tenta surpreender o favoritismo carioca.
O renascimento de uma rivalidade nacional após 48 anos
Enquanto olha para o cenário internacional, o Flamengo também precisa lidar com fantasmas do passado no Campeonato Brasileiro. O confronto contra o Remo, marcado para as 20h no Maracanã, quebra um hiato que durava desde 1978. O clube paraense, que passou 32 anos longe da elite do futebol nacional, debuta agora na era dos pontos corridos tentando manter uma vantagem histórica curiosa: no retrospecto geral do Brasileirão, o Remo leva a melhor com três vitórias contra duas do Rubro-Negro.
As lembranças desses encontros remetem aos anos 70, uma época de jogos pegados e heróis locais. Em 1972, o Remo venceu por 1 a 0 com gol de Roberto “Diabo Loiro”. No ano seguinte, uma nova vitória paraense por 2 a 1, marcada por polêmicas de arbitragem e uma expulsão precoce, nem o gol de Zico foi capaz de evitar a derrota nos acréscimos.
Lições do passado para o presente
O Flamengo teve seus momentos de brilho contra o time do Pará, como o 3 a 0 aplicado no Maracanã em 1974, com duas assistências magistrais do Galinho de Quintino. Contudo, o Remo provou ser um osso duro de roer, chegando a vencer dentro do Rio de Janeiro em 1975, em uma noite inspirada do goleiro Dico, que parou o ataque rubro-negro com 16 defesas difíceis.
O último encontro oficial na liga aconteceu em abril de 1978, no Mangueirão. Naquela tarde, o Flamengo conseguiu quebrar um jejum de quatro anos sem vencer o rival, com um magro 1 a 0 anotado por Valdo. Curiosamente, o time era comandado pelo interino Joubert, já que Cláudio Coutinho estava a serviço da Seleção Brasileira.
Hoje, o contexto é outro, a estrutura é profissional e o futebol mudou. Mas, seja contra o novato Pyramids ou contra o resiliente Remo, o Flamengo entra em campo pressionado por sua própria história e pela exigência de uma torcida que não aceita nada menos que a vitória, independentemente da tradição do adversário.