O Chelsea viu suas chances de classificação para a Liga dos Campeões sofrerem um golpe praticamente fatal na noite desta terça-feira. Em uma atuação desastrosa fora de casa, a equipe comandada por Liam Rosenior foi presa fácil para o Brighton & Hove Albion, perdendo por 3 a 0. O resultado fez com que os donos da casa ultrapassassem os londrinos na tabela da Premier League, evidenciando ainda mais a crise profunda que assombra a equipe.
O pesadelo começa cedo e a torcida perde a paciência
A escalação inicial do Chelsea já trazia problemas, entrando em campo desfalcada de Cole Palmer e João Pedro. O impacto negativo foi imediato. Bastaram apenas três minutos de bola rolando para o Brighton abrir o placar com Ferdi Kadioglu, que aproveitou uma cobrança de escanteio mal defendida pelos visitantes. A decisão tática de Rosenior de usar uma linha de três zagueiros antes da partida só serviu para desorganizar ainda mais um time que já vinha apresentando um futebol muito abaixo do esperado.
A torcida do Chelsea, exausta dos maus resultados, não poupou críticas. Logo após o gol sofrido, os torcedores visitantes que viajaram para acompanhar o time entoaram todo o seu repertório de cânticos de protesto contra o consórcio BlueCo. A revolta culminou em gritos estrondosos mandando o coproprietário Behdad Eghbali, que assistia a tudo com o rosto fechado nas arquibancadas, “se f****”.
Salvação na linha fatal e mudanças no intervalo
O primeiro tempo foi um retrato fiel da confusão tática dos londrinos. O Brighton criava, com extrema facilidade, inúmeras chances de alta qualidade que acabavam sendo desperdiçadas. Jack Hinshelwood quase marcou com o gol vazio após uma falha grotesca do goleiro Robert Sanchez, sendo impedido apenas por um corte heroico de Trevoh Chalobah em cima da linha. O ataque do Chelsea, por sua vez, foi inoperante, registrando apenas uma única finalização bloqueada do próprio Chalobah aos 41 minutos.
Tentando consertar a bagunça no intervalo, Rosenior colocou Alejandro Garnacho no lugar de Wesley Fofana, mudando a formação defensiva para uma linha de quatro. A alteração, no entanto, passou longe de frear o ímpeto dos anfitriões.
Contra-ataques velozes e recordes negativos
Aos 11 minutos da etapa complementar, o Brighton puniu os erros do adversário novamente. Aproveitando um contra-ataque construído com uma facilidade assustadora, Hinshelwood balançou as redes e ampliou para 2 a 0. O Chelsea até tentou demonstrar um pouco mais de ambição ofensiva na reta final do jogo, esbarrando sempre na própria incapacidade de criação.
Esse apagão no ataque consolida marcas históricas vergonhosas para a equipe londrina. É a primeira vez desde 1988 que o clube passa cinco jogos da liga sem marcar um único gol. Pior ainda: é a primeira vez desde 1912 que a equipe sofre cinco derrotas consecutivas sem balançar as redes.
Retratos de um segundo tempo tenso
A segunda metade do jogo foi bastante truncada, marcada por substituições constantes, faltas duras e um festival de oportunidades perdidas pelo lado do Brighton. Aos 23 minutos, Chalobah até tentou levar perigo em um cabeceio no meio da área após escanteio cedido por Yankuba Minteh, mas sem sucesso. A partida precisou ser paralisada logo depois devido a uma lesão de Georginio Rutter, abrindo espaço para a entrada de João Pedro no time da casa.
O jogador recém-entrado logo se destacou na frente, sofrendo faltas e desperdiçando oportunidades perigosas de fora da área. Do outro lado, Tyrique George teve uma finalização bloqueada após passe de Reece James. O clima em campo esquentou e jogadores como Enzo Fernández, Marc Cucurella e Cole Palmer acabaram se envolvendo em diversas infrações e disputas ríspidas, evidenciando o nervosismo londrino.
Trave, acréscimos e o golpe de misericórdia
O Brighton não diminuiu o ritmo nos minutos finais. Os donos da casa renovaram as energias do meio-campo com as entradas de Yasin Ayari, Matt O’Riley e Simon Adingra. Aos 40 minutos, Joël Veltman quase marcou o terceiro ao carimbar a trave direita em uma finalização à queima-roupa. O Chelsea ainda ensaiou uma resposta com uma jogada em profundidade de Jadon Sancho para Kiernan Dewsbury-Hall, rapidamente anulada por impedimento.
Com seis minutos de acréscimo anunciados pelo quarto árbitro, o desespero se transformou em colapso total. Uma nova falha de marcação defensiva no apagar das luzes permitiu que o substituto Danny Welbeck marcasse o terceiro gol, fechando o caixão do Chelsea e garantindo a festa local no Amex Stadium.
O que resta para o futuro?
Com o fim de jogo decretado, o cenário é completamente desolador para a equipe de Rosenior. Qualquer esperança remota de terminar a temporada entre os cinco primeiros colocados praticamente evaporou. Reverter uma desvantagem de sete pontos na tabela já seria difícil, mas se torna uma missão quase impossível para um elenco que não dá o menor sinal de conseguir esboçar uma reação.
Quem assiste aos jogos do Chelsea percebe rapidamente a total falta de convicção em campo. Os jogadores parecem não acreditar na própria capacidade de dar a volta por cima. E a torcida, sem sombra de dúvidas, já perdeu qualquer gota de esperança.