O Flamengo virou assunto de capa na Europa, mais especificamente em Portugal. O jornal ‘A Bola’ resolveu dissecar a agressividade do Rubro-Negro no atual mercado da bola e cravou que o projeto na Gávea é montar uma “equipe de outro planeta”. Com um faturamento absurdo projetado na casa dos R$ 2 bilhões para o ano de 2025, o clube carioca ostenta um poder de fogo financeiro que basicamente inexiste fora do velho continente. Segundo a publicação, o único rival no futebol brasileiro que teria cacife para tentar acompanhar esse ritmo insano de valores nas negociações seria o Palmeiras comandado por Abel Ferreira.
A imprensa lusa aponta um compatriota deles como o grande arquiteto por trás dessa expansão do elenco. José Boto, diretor de futebol, é visto como a peça-chave para garimpar e reunir tantas estrelas de peso no mesmo vestiário. A janela de transferências ainda carece de anúncios oficiais em massa, mas as peças no tabuleiro já estão em movimento. O zagueiro Vitão, que vem de uma ótima passagem pelo Internacional, já desembarcou no Rio de Janeiro para colocar a assinatura no papel. Além dele, o radar flamenguista mira pesado em nomes como Kaio Jorge (Cruzeiro), Gabriel Brazão (Santos) e Taty Castellanos (Lazio). É o tipo de movimentação que faz o diário português garantir: se a diretoria fechar essas aquisições, o Flamengo terá um plantel que só encontra paralelo esportivo e financeiro nos clubes mais ricos da Europa.
A grande ironia de se construir uma verdadeira seleção no papel é que esse projeto inevitavelmente vai bater de frente com a panela de pressão e a impaciência crônica que ditam o dia a dia do clube. Tite sentiu isso na pele. O treinador, demitido na reta final de 2024 logo após cair na Libertadores, não escondeu a frustração com a cultura interna. Em um desabafo que ecoou forte no portal Coluna do Fla, ele escancarou a mentalidade da instituição, afirmando que lá dentro as pessoas só se importam de verdade com a Libertadores e o Mundial de Clubes. Na visão dele, o Flamengo respira essas taças de forma tão intensa que todo o resto do trabalho e dos campeonatos acaba virando pó.
Para tentar explicar o derretimento do time que culminou na eliminação para o Peñarol logo nas oitavas do torneio sul-americano, o ex-comandante usou o departamento médico como principal justificativa. Ele fez questão de lembrar o baque imenso que foi perder de uma vez só Pedro, Everton Cebolinha e Luiz Araújo por lesão. Apenas esse tridente ofensivo já tinha entregado na conta da equipe quase 60 gols na temporada. Mesmo com o atenuante das baixas de peso, perder o jogo de ida para os uruguaios e arrancar um empate inofensivo na volta foi o limite da tolerância da diretoria. Tite foi mandado embora carregando números que em praticamente qualquer outro lugar do país garantiriam estabilidade: 68 jogos na beira do campo, 41 vitórias e o título do Campeonato Carioca de 2024 na estante. Mas no Ninho do Urubu a régua costuma punir quem não entrega o continente.
Como a roleta de técnicos por ali gira rápido, o bastão agora já está nas mãos de outro nome português. Leonardo Jardim assumiu a bronca de pilotar essa equipe bilionária e já tem um mata-mata encardido para resolver no curtíssimo prazo. O novo treinador finaliza a preparação do elenco para o confronto direto contra o Vitória, jogo válido pela quinta fase da Copa do Brasil. A bola rola nesta quinta-feira, dia 14, pontualmente às 21h30 (horário de Brasília), no sempre hostil gramado do Barradão. Vai ser o primeiro teste prático para descobrir se Jardim consegue encontrar um ponto de equilíbrio entre a montagem de um elenco com ares de Europa e a urgência quase irracional do clube carioca por levantar as taças que realmente importam para os dirigentes.