Análise: Patriots x Bills

Após uma surpreendente campanha de 3-0 nos jogos sem Tom Brady, o New England Patriots chegou para a quarta partida da temporada 2016 com a liderança da divisão garantida por pelo menos mais uma semana. Mesmo assim, a equipe pretendia vencer o Buffalo Bills para “devolver” o comando do ataque a Brady de forma invicta.

O que se viu no Gillette Stadium, entretanto, foi talvez o pior jogo dos Patriots na era Bill Belichick, e o time foi derrotado por 16 x 0. A equipe Patriota não conseguiu fazer quase nada certo, e pela primeira vez na história do Gillette foi derrotada em casa sem marcar um ponto sequer.

Análise: Patriots x Bills

Defesa

Hoje começaremos a análise pelo melhor, ou pelo “menos pior”, digamos. A defesa dos Patriots teve vários problemas na derrota marcante do último domingo.

A sensação deixada pelo jogo é a de que a defesa fez um péssimo jogo. No entanto, quando olhamos com calma, analisando as estatísticas, vemos que houve problemas, mas a defesa não foi a responsável pela derrota de domingo.

O placar mostra que a defesa não foi tão mal. Os Bills anotaram apenas um touchdown, e totalizaram 16 pontos.

Olhando a “Era Belichick”, a pior média de pontos do ataque dos Patriots foi em 2000, com 17,3 pontos por partida. Assim, é fácil perceber que mesmo o pior ataque da era BB facilmente faria pontos suficientes para derrotar um adversário que só marcasse 16 pontos.

Isso não quer dizer que não existiram problemas, eles existiram e não podem ser desprezados. O principal deles? Os erros nos tackles.

Um dos pontos fortes da defesa dos Patriots nos últimos anos é a capacidade de fazer tackles e encerrar jogadas. Dificilmente a unidade defensiva Patriota permite jardas após a recepção. Quando os jogadores colocam a mão no adversário, ele vai ao chão.

Contra os Bills, nada disso valeu. Vimos um festival de tackles perdidos em todos os níveis da defesa, do front 7 à secundária. Corridas que deveriam resultar em perda de jardas se transformaram em ganhos de 8, 10 jardas por conta da incapacidade dos jogadores dos Patriots de derrubar os adversários.

O front 7 de New England geralmente consegue sucesso contra quarterbacks móveis, mas ontem, como todo o resto, essa máxima não foi aplicada.

Sempre ressaltamos que o pass rush desacelera contra QBs de mobilidade, a fim de não deixar espaços e permitir corridas principalmente nas costas dos defensive ends. Desacelerar é uma coisa, parar é outra. Contra os Bills, o pass rush simplesmente não conseguiu pressionar Tyrod Taylor, que teve muito tempo no pocket para achar seus alvos.

No tocante aos linebackers, o alívio de ver Dont’a Hightower no miolo da defesa foi rapidamente esquecido quando percebemos que o jogador está distante dos 100%. Vimos um Hightower errando tackles, mais lento que de costume.

Na secundária, a maioria dos torcedores dos Patriots está irada com o cornerback Logan Ryan até agora. Mais uma vez, aqui tratamos de algo que não foi tão ruim como a sensação deixada pelo jogo.

A partida de Ryan foi longe de ser espetacular, mas o cornerback não foi o desastre de que muitos falam. Os 17 tackles chamam muito a atenção, mas no total foram 70 jardas cedidas, com uma média de apenas 5,5 jardas por recepção.

Ficou nítido que em determinado momento do jogo os Bills claramente estavam explorando a cobertura de Ryan, mas o desempenho do corner Patriota não foi tão desastroso quanto se fala.

Voltando a focar em Taylor e sua mobilidade, outra implicância disso, além de desacelerar o pass rush, é fazer com que a secundária jogue mais em zona que em “man coverage”, pois em zona os defensive backs têm mais facilidade de identificar scrambles e corridas dos quarterbacks.

Acontece que as zonas dos Patriots não estavam entrando em sintonia, e a secundária deixou espaços que foram repetidamente explorados por Taylor. Trata-se de mais um ponto que precisa ser corrigido por Bill Belichick, afinal enfrentaremos outros QBs de mobilidade nesta temporada, como Russell Wilson.

Patriots x Bills
A defesa limitou os Bills a 16 pontos, mas não foi ajudada pelo ataque.

Ataque

Se o tópico da defesa teve a intenção de mostrar que a coisa não foi tão ruim assim, no caso do ataque não há como desviar da verdade: foi talvez a pior apresentação ofensiva da era Bill Belichick.

Sem Jimmy Garoppolo, que não conseguiu se recuperar da lesão no ombro, os Patriots foram pelo segundo jogo consecutivo com Jacoby Brissett under center.

Diferentemente do que ocorreu contra os Texans, a sensação foi de que o plano de jogo não foi desenhado de modo a realçar as forças de Brissett. Se contra a equipe de Houston vimos muitas jogadas de misdirection, endarounds etc, contra os Bills observamos os Patriots insistirem nas corridas por quase todo o primeiro tempo, por vezes correndo nas 3 descidas antes de irem para o punt.

Era óbvio que os Bills viriam focados em pararem o jogo terrestre dos Patriots e forçarem Brissett a lançar, mas Josh McDaniels e a comissão técnica não souberam se adaptar a isso.

No segundo tempo, Brissett teve mais liberdade para lançar a bola, mas não obteve muito sucesso. Os números nem foram tão desastrosos (17/27 para 205 jardas), mas o calouro não conseguiu converter algumas terceiras descidas onde havia recebedores livres, e isso ajudou a complicar o desempenho do ataque. Além disso, Brissett sofreu um fumble em uma corrida, jogada em que havia dois recebedores livres e o quarterback preferiu tentar obter o first down correndo.

O jogo terrestre também não conseguiu repetir o sucesso obtido contra Houston, e LeGarrette Blount conseguiu apenas 54 jardas em 13 corridas.

Um fator que bem ilustra a ineficiência do ataque foi a taxa de conversão das terceiras descidas. Os Patriots converteram apenas 1 de 12 oportunidades, um desempenho para ser esquecido.

O mau aproveitamento, tanto do jogo aéreo quanto do terrestre, não foi o que de pior aconteceu com o ataque dos Patriots, acredite. O principal fator que segurou a unidade e a impediu de pontuar foi o enorme número de erros.

Somando-se ataque e times especiais, foram fumbles e principalmente uma quantidade absurda de faltas, muitas delas anulando as poucas boas jogadas conseguidas pelo time ofensivamente. Foram 9 faltas para 74 jardas.

De 2007 a 2015, a média de fumbles dos Patriots é de 15 por temporada. Em 2016, em apenas 4 rodadas, a equipe já sofreu 12 fumbles! Trata-se de uma falta de disciplina que não é característica das equipes comandadas por Bill Belichick. O técnico precisa corrigir esse problema antes que comece a causar mais resultados ruins para a equipe.

Rob Gronkowski, cumprindo a tendência, aumentou sua participação em snaps. No entanto, em 41 snaps ofensivos, Gronk correu rotas em apenas 13, mostrando que ainda está sendo poupado.

Falando em tight ends, a posição foi a única que se pode destacar positivamente, graças a mais um belo jogo de Martellus Bennett. O tight end, considerado o melhor da NFL nesta temporada em vários aspectos pelo Pro Football Focus, conseguiu 109 jardas em 5 recepções, mais uma vez mostrando que arranca boas jardas depois da recepção.

Patriots x Bills
O ataque dos Patriots teve sua pior atuação na história do Gillette Stadium.

Times especiais

Em poucas palavras, pode-se dizer que a temporada de 2016 começou como a melhor de Ryan Allen e a pior de Stephen Gostkowski com a camisa dos Patriots.

Destaques

Martellus Bennett: 5 recepções para 109 jardas.

Ryan Allen: ótima média de jardas punt.

Patriots x Bills
O tight end Martellus Bennett foi o único destaque positivo do ataque.

First Downs: 13 (3 corridas / 10 passes / 0 faltas) | Terceira Descida: 1/12 (8%) | Total de Jardas de Scrimmage: 277 (90 correndo / 187 passando) | Faltas: 9 (74 jardas) | Touchdowns: 0 (0 correndo / 0 passando / 0 retorno) | Field Goal: 0-1 (0%) | RedZone: 0/1 (0%) | Pontuação Final: 0 pontos | Tempo de Posse: 23:49 min.

Patriots x Bills
O jogo terrestre não conseguiu repetir as boas atuações das últimas semanas.

O gosto da derrota é amargo, mas após os quatro jogos sem Brady, os Patriots possuem um retrospecto de 3 vitórias e 1 derrota. Se antes da temporada oferecessem aos Patriots 3-1 sem Brady, qualquer torcedor aceitaria.

Bill Belichick terá muito material para cobrar seus jogadores após uma derrota tão embaraçosa. Depois, o técnico precisará fazer o elenco esquecer esse jogo, já que no próximo domingo os Patriots visitam o Cleveland Browns.

Todo ano há algum jogo em que nada dá certo e os Patriots perdem. Assim, por pior que tenha sido a derrota, ela não definirá a temporada. Afinal, como disse Martellus Bennett, “perdemos mas ainda somos os Patriots”.

O jogo em Cleveland marcará a esperada volta de Tom Brady ao comando do ataque depois de cumprir quatro jogos de suspensão. Torcemos para que o quarterback não tenha seu entrosamento com o ataque afetado pelo tempo que ficou afastado dos gramados.

A vitória é incerta, mas pode-se garantir que o time não cometerá tantos erros quanto no último jogo. Sabemos que Brady e companhia virão com tudo para mostrar que o péssimo desempenho contra os Bills não passou de um acidente de percurso.

No Podcast Patriotas desta quarta traremos mais detalhes sobre a derrota para os Bills e anteciparemos a volta de Brady contra os Browns, não perca!

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