Como o próprio Belichick admitiu, a conta chegou

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Em entrevista no decorrer da semana passada, Bill Belichick, digamos que até surpreendentemente, foi franco ao abordar a situação do elenco de 2020 dos Patriots, proferindo as seguintes palavras:

“Este é o ano que levamos para, eu diria, ajustar nosso teto a partir dos gastos que tivemos no acúmulo de anos anteriores. Simplesmente não conseguimos ter o tipo de profundidade em nosso elenco que tivemos em alguns outros anos.”

Na prática, o que Belichick quis dizer foi: “a conta chegou”.

De 2014 a 2019, os Patriots disputaram incríveis quatro Super Bowls, coroando-se campeão em três oportunidades, sendo a mais recente em 2018. Tal feito é quase impossível na NFL, ainda mais na era do salary cap.

Afinal, quantos times vimos chegarem ao Super Bowl num ano e no seguinte sequer alcançarem os playoffs? A lista não é pequena, e há motivos para isso.

O primeiro e mais notório: a supervalorização dos jogadores que foram ao Super Bowl. É bastante comum, diria até que “automático”, as equipes que chegaram longe na temporada perderem peças importantíssimas na free agency subsequente, já que devido ao aumento do preço do atleta, fica quase impossível competir com franquias que detêm um vasto espaço salarial disponível no cap. Portanto, é natural perder atletas de extrema qualidade. Com os Patriots não foi diferente, e os exemplos mais recentes são Trey Flowers, Trent Brown e Kyle Van Noy.

O segundo motivo é selecionar nas últimas escolhas do Draft. Aqui já abro o parênteses para salientar que não estou passando pano nos erros que Belichick vem cometendo no recrutamento, pois para mim eles existem, sim, e merecem ser criticados. Todavia, é inegável que é totalmente diferente selecionar na pick 23 (a original mais alta dos Patriots nos últimos anos) do que em uma escolha top 10. Logo, conseguir rejuvenescer o roster, algo essencial na NFL, foi mais complicado para New England do que para qualquer outra equipe nesta última década.

Por fim, certamente você já ouviu que “chegar ao topo é fácil, o difícil é se manter”. Bem, essa regra quase que não se aplicou para os Patriots neste século. Apesar de nem sempre vencer, o time rotineiramente fazia belas campanhas e estava entre os favoritos para o título.

Todavia, o conto de fadas, o universo paralelo que vivíamos está tendo seu fim em 2020, e não só pela saída de Tom Brady, embora indubitavelmente ser o grande marco. Parece que toda a “sorte de campeão” que os Pats tinham mudou de lado. Além de perder seu maior jogador de todos os tempos, a equipe viu seu front-seven se desmontar na free agency e tomar a facada final com os opt-outs. E, para completar, no melhor momento que o time se encontrava já com a temporada em andamento, um surto de coronavírus se deflagrou. Sem mencionar, ainda, as diversas lesões. Tudo isso em menos de 8 meses!

É, Belichick, realmente a conta chegou. Talvez um pouco mais cara do que imaginávamos, afinal, sequer houve uma transição na posição de quarterback, e pior: não perdemos Brady para a aposentadoria, e sim, para nós mesmos.

Todavia, essa é a NFL, torcedor dos Patriots. Essa é a realidade da grande maioria dos times. Entretanto, nunca se esqueça que apesar da conta ter chegado, você ainda possui o que nenhum dos outros 31 times tem: o melhor técnico de todos os tempos.

Destarte, às vezes, por mais doloroso que seja, é necessário que haja tempestade, para que no futuro venha a bonança.

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Este post tem 3 comentários

  1. A canalhice que os Patriotas fizeram com o Tom Brady, também está cobrando a sua conta.

  2. Texto ótimo no início e bem amarrado no desenvolvimento, fechamento pífio. Técnico sem elenco é nada. Ele queimou o que tinha. Ele que é o GM, ele qu cometeu os erros e não fez a renovação. Liberou jogadores, escolheu mal, cedeu escolhas por nada, trocas lamentáveis. A estrela dele parou de brilhar, Brady cansou disso e foi dar show onde tinha quem queria ver show.

  3. Belichick é um gênio, sempre conseguiu superar as dificuldades do Teto salarial, sempre conseguiu montar times competitivos, principalmente defesas que mantinham a jogo sob controle. O que falta esse ano é o fato de que eles perderam o maior jogador de todos os tempos, e digo mais, o mais frio e mais decisivo da NFL, quantos jogos foram ganhos na ultima posse de bola? Quantos foram dominados pela frieza de Brady em controlar o relógio? Quantos foram revertidos pela tenacidade e pela liderança do camisa 12? A fórmula tão vitoriosa dos últimos anos está desfalcada pela metade, e daí se junta a falta de jogadores por questão salarial, e a falta de renovação de qualidade, temos a tempestade perfeita. E até hj não li um comentário que seja do Head Coach sobre seu antigo Às de Paus.

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