Competitividade, preparação e liderança: conheça o “outro” Mac Jones

mac jones

Muito provavelmente você já está cansado de ouvir que “Mac Jones tem uma ótima precisão, mas não tem habilidade atlética, tampouco muita força no braço”. Portanto, o foco deste artigo não é uma análise do que Jones pode render dentro de campo, mas sim o que ele faz fora dele para conseguir desempenhar bem quando está no gramado.

Afinal, a posição de quarterback não está atrelada apenas a ter ótimos atributos físicos e saber lançar a bola. Claro que essas características ajudam, mas se fosse apenas isso seria mais fácil encontrar QBs elites. Logo, um signal caller precisa também de qualidades que às vezes não dá para visualizar na televisão, mas apenas na rotina diária, com a ética de trabalho, dedicação e preparo psicológico. Será que Mac Jones, então, tem esse “algo a mais”?

Uma trajetória de competitividade, persistência, liderança e preparação

Diferentemente de Trevor Lawrence, primeira escolha geral do Draft 2021, e tantos outros quarterback que chegaram à NFL, Mac Jones não era “ninguém” na época inicial de high school. Há seis anos, ele era um completo anônimo.

Insatisfeito por ser um desconhecido, Jones começou a alavancar seu próprio nome através de persistência e determinação. Tudo começou quando Mac mandou uma mensagem para o site Rivals, especializado em scouting nos Estados Unidos, pedindo para fazerem um perfil sobre ele e o colocarem no radar dos demais scouts.

Todavia, o Rivals recebia diversos desses pedidos, e isso não seria suficiente para Jones ser notado. Então, ele foi a um torneio organizado pelo site, onde se apresentou a um dos membros, que o convidou para participar de um camp com cem das principais promessas da posição de quarterback no sudeste dos Estados Unidos.

Como revelou posteriormente Woody Woomack, analista do Rivals que Jones entrou em contato, o único motivo para Mac ter sido convidado foi apenas por eles precisarem de cem QBs. Mas foi a chance que Jones tanto queria.

Após uma belíssima atuação no camp, ele, que estava entrando no seu terceiro ano, foi nomeado quarterback titular no seu time do high school em Jacksonville e recebeu uma oferta para entrar na Universidade de Kentucky, a qual aceitou no primeiro momento.

Desde então, ele começou a atrair mais olhares dos scouts, assim como continuou participando dos camps do Rivals, ou melhor, dando show neles, ganhando quatro de cinco MVPs dos eventos e fazendo de tudo para ser notado. Enquanto a maioria dos outros jogadores só participava de um camp do site, Jones virou “de casa”.

Em um dos torneios do Rivals, Mac deu sinais de como foca bastante na preparação e na competição. Sabendo que iria enfrentar Trevor Lawrence, o principal recruta do país, ele se dedicou ao máximo para o evento, instalando na sua casa uma espécie de simulador do que teria que fazer no torneio (“passe ao alvo”, tendo que acertar diferentes tipos de lançamentos em locais determinados). Pela sua árdua preparação e espírito competitivo, ele derrotou Sunshine no evento e colocou ainda mais seu nome no holofote.

Com sua ascensão, Jones recebeu proposta para entrar na Universidade de Alabama, o maior programa de futebol americano do college, e mesmo sabendo que chegaria para ser reserva de Jalen Hurts e Tua Tagovailoa, Mac aceitou a oferta e se tornou um Crimson Tide, decidindo encarar de frente a concorrência, mesmo com muitos opinando para ele não fazer isso.

Pacientemente, Mac Jones esperou sua hora de brilhar, ao mesmo tempo que se preparava para dar conta do recado quando assumisse, ficando na reserva em 2018 e entrando como titular no final da temporada 2019 após lesão de Tua.

Em 2020, Alabama recrutou uma das principais promessas do high school, Bryce Young, fomentando a competição pela posição de titular. Mas Mac não deu sequer chances ao calouro.

Com a pandemia impedindo os jogadores de irem aos centros de treinamentos na offseason, Jones instalou na sua sala de estar uma rede de arremessos e começou a lançar diversos passes de fora da casa pela janela incessantemente.

Quando o CT foi reaberto, ele costumava ficar nele de noite até às 23h, bem como acordava geralmente às 5:30 todo dia, incluindo domingo, para assistir o tape nas instalações do Crimson Tide. Jones, inclusive, ensinou o ataque de Alabama para sua namorada, para ela chamar as jogadas e ele poder processar as leituras e fazer as correções na linha de scrimmage.

Em casa, ele também assistia horas e horas de vídeo com seu técnico pessoal de passe que o acompanha desde os onze anos, Joe Dickinson. Inclusive, comenta-se que Mac possui memória fotográfica, com ele mesmo admitindo que consegue se lembrar de cada detalhe que cada jogador fez em determinada jogada.

Desta forma, toda sua dedicação e preparação foram recompensadas com uma das melhores, se não a melhor, temporada de um quarterback na história do college football. O coordenador ofensivo de Mac, Steve Sarkisian, disse que ele estava tão no comando, no controle do ataque, que chegou a um ponto que só precisava sentar e aproveitar ver Jones jogar, pois isso não ocorre com frequência no nível universitário.

Todavia, Mac não se contentou com seu desempenho espetacular em 2020, e continuou se preparando para o Draft da NFL. A semana do Senior Bowl foi mais uma prova de seu comprometimento com o jogo, tendo sido flagrado estudando até altas horas, por noites seguidas, no centro de convenções que sediou a partida, tendo que ser “expulso” para poderem fechar o prédio.

Nos Pro Days que antecederam o Draft, Mac Jones também fez de tudo para agradar e chamar a atenção dos times, incluindo dos Patriots, incorporando elementos do estilo de jogo da equipe na sua apresentação após uma reunião com Josh McDaniels.

Além do mais, mesmo após ser selecionado por New England, Jones também não relaxou. Depois de ser oficialmente apresentado no Gillette Stadium na sexta-feira, no dia seguinte ele já estava de pé às 5:30, combinando com seu técnico pessoal a agenda de treinos preparatórios para o minicamp dos calouros, que ocorrerá nesta semana.

Além de todos esses aspectos de entrega, competitividade e dedicação que Mac Jones possui, ele também é altamente reconhecido por sua liderança nata, conquistando quem joga ao seu lado. No processo pré-Draft, diversos companheiros de Alabama rasgaram elogios a ele, incluindo os WRs Jaylen Waddle e DeVonta Smith, que disseram que preferem Mac a Tua Tagovailoa.

Outrossim, a forma quase que impecável que Mac conduziu o ataque de Alabama demonstrou ainda mais o nível de confiança dos jogadores e da comissão técnica nele.

Aos 22 anos de idade, Mac Jones chega aos Patriots com a expectativa de ser o novo franchise quarterback da franquia e o verdadeiro sucessor de Tom Brady. Compará-lo com o G.O.A.T. é injusto, já que Brady é único, mas ao analisar o comportamento, a dedicação e o comprometimento de Mac com o football e com seu trabalho, é possível enxergar traços de Tom nele.

Se um dia Mac Jones levantará pelo menos um Vince Lombardi é impossível saber, mas ele está no caminho certo e caiu no time perfeito para seu estilo, tanto de jogo, como de trabalho. Tem tudo para ser um belo casamento.


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Informações retiradas do site The Athletic.

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