Deflategate: estatísticas derrubam mais uma tese

Há algum tempo, mais precisamente após o resultado da apelação que garantiu a Tom Brady jogar a temporada 2015 da NFL, não trazemos o tema deflategate à tona no Patriotas. Não havia novidades dignas de notícia, então o melhor era aproveitar a temporada do futebol americano.

Com o fim da temporada regular, as estatísticas dos vários aspectos do jogo se “arredondam”, já podemos analisar dados referentes à toda a temporada.

Alguns desses dados são interessantes para derrubar uma das teses de quem acusava Tom Brady e os Patriots durante o deflategate: a de que bolas mais vazias seriam a chave para o sucesso da equipe.

Deflategate: estatísticas derrubam mais uma tese

Sobre o deflategate, aqui não vamos nem entrar no mérito de se as bolas foram ou não intencionalmente esvaziadas. O próprio Ted Wells em seu famoso report disse não haver provas disso, e o Patriotas já tratou exaustivamente desse tema.

O texto refere-se a outra acusação: a de que os Patriots teriam vantagem esportiva indevida por jogar com bolas abaixo do nível mínimo de pressão. Por mais que tenha sido mostrado que 1 ou 2 PSI a menos é diferença praticamente imperceptível, muitos detratores da equipe insistiam nessa tese.

Sendo assim, já que em 2015 a NFL supostamente intensificou a fiscalização sobre a pressão das bolas, a conclusão seria a de que os Patriots, por “serem forçados a jogar com bolas mais cheias do que gostariam”, teriam problemas em “segurar” a bola, aumentando o número de fumbles da equipe.

Além disso, Brady teria sua produtividade diminuída, já que não teria como utilizar as bolas da maneira que “gostaria”.

Os fatos derrubam por completo essas acusações, como podemos perceber de algumas estatísticas dos Patriots na temporada 2015 da NFL:

  • Tom Brady foi o líder de passes para touchdown (36) entre todos os quarterbacks da NFL.
  • Tom Brady liderou a NFL na razão touchdown/interceptação (5,1/1)
  • Tom Brady foi o 3º quarterback da liga em jardas passadas (4.770)

Como vemos, o desempenho de Brady não apenas não piorou, como melhorou em relação à última temporada. E seria ainda melhor se ele não tivesse perdido seu principal wide receiver e seu principal running back por quase toda a temporada, bem como se os Patriots tivessem uma linha ofensiva que lhe proporcionasse uma boa proteção.

Assim, morre a acusação de que a carreira de Brady teria sido ajudada pelo uso de bolas com a pressão abaixo da mínima.

Outro argumento utilizado pelos acusadores era o de que os Patriots sofriam poucos fumbles pelo fato de bolas menos cheias serem mais fáceis de segurar. Como consequência, a temporada 2015 deveria trazer um aumento no número de fumbles, já que a NFL estaria fiscalizando a pressão das bolas.

Então, vejamos alguns números da temporada 2015 dos Patriots relativos a esse tema:

  • Somando todos os running backs do elenco, os Patriots cometeram apenas 1 fumble em 335 corridas (!!!), melhor marca da NFL.
  • Os Patriots foram a 5ª equipe com menos fumbles entre os recebedores com apenas 3.
  • No total, os Patriots perderam apenas 7 fumbles durante o ano, 2ª melhor marca da NFL.
deflategate
Atribuir a conquista de 4 Super Bowls à pressão das bolas é fugir da lógica, ou da honestidade.

Diante desses fatos, fica claro que qualquer PSI a menos que tenha havido nas bolas utilizadas pelos Patriots na final da AFC passada não fez qualquer diferença em termos de performance. O time não obteve qualquer vantagem competitiva nesse sentido.

Atribuir a carreira de Hall da Fama de Tom Brady ou o sucesso inigualável que os Patriots tiveram nos últimos anos a uma diferença de pressão nas bolas é um argumento ignorante de quem não parou um único minuto para pensar no assunto ou simplesmente não suporta o sucesso aparentemente sem fim da equipe.

P.S.: ah, lembram que a NFL anunciou que todas as bolas de todos os jogos da temporada 2015 seriam objeto de uma fiscalização severa sobre a pressão? Pois é, a temporada já terminou e até agora a liga não divulgou NENHUM dado sobre pressão das bolas.

P.S.2: neste domingo (10/01/16), a temperatura do jogo entre Minnesota Vikings x Seattle Seahawks foi de -20º em média. Antes da partida, os árbitros expressaram receio de o frio diminuir a pressão das bolas para aquém do limite mínimo. A informação era de que as bolas seriam substituídas no intervalo por outras com a pressão regular.

Esse comportamento nada mais é que uma confissão tácita por parte da liga de que a temperatura por si só é capaz de reduzir a pressão das bolas, de acordo com a Lei do Gás Ideal. Pena que isso não vai reparar os danos causados aos Patriots com a multa e a perda de duas escolhas de draft.

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Este post tem um comentário

  1. Muito boa a análise. Tem que ser muito cego para creditar o sucesso dos Pats à bolas com menos pressão. A única vantagem que nós temos em relação as outras equipes, é o próprio Tom. Os torcedores de outras equipes não suportam a idéia de que o GOAT joga em uma equipe que não é a deles.
    É uma pena que não aceitem a realidade. De todo modo, bola pra frente, pois temos mais 2 jogos antes do Super Bowl, e Tom, Gronk, Danny, Chandler, Dont’a, Malcom, Stephen e cia estão com sangue nos olhos.
    GO PATS!!!

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