Entendendo a situação contratual de Tom Brady com os Patriots

tom brady

Pela primeira vez em duas décadas, o quarterback Tom Brady poderá ser free agent e, dessa forma, assinar com qualquer franquia da NFL. Entretanto, entenda agora o porquê New England não deverá medir esforços para mantê-lo.

Entendendo a situação contratual de Tom Brady com os Patriots

Nesse artigo, vamos deixar de lado a análise subjetiva e emocional que pede a continuidade do casamento entre Brady e os Patriots (caso esteja interessado num post dessa forma, clique aqui). O foco desse texto é, principalmente, o quesito financeiro que engloba as duas partes, e para compreendê-lo é preciso voltarmos para agosto de 2019.

Dois dias após o seu aniversário de 42 anos, Tom assinou, na teoria, uma extensão contratual de dois anos por $70M com New England. Contudo, na prática, o acordo apenas deu a Brady um aumento salarial de $8M para a temporada vigente (2019). Esse tipo de negócio, que inseriu o chamado “void years” (anos nulos), teve o intuito também de liberar $5,5M na folha salarial dos Pats. Portanto, a movimentação de agosto/2019 não impediu Brady de poder virar free agent em março/2020, e ainda contou com um agravante: foi imposta uma cláusula contratual que impede New England de colocar a franchise ou a transition tag no camisa 12, o que daria uma renovação anual automática.

Essa foi a primeira vez na história dos Patriots que o time inseriu void years no contrato de um jogador. Esse mecanismo tem como principais objetivos dar um aumento salarial a determinado atleta – que não possui mais anos restantes no contrato – e simultaneamente abrir espaço no salary cap. Para atingir essas metas, valores que estavam projetados para a temporada atual, mais especificamente os bônus, são empurrados para anos seguintes, os chamados anos nulos, que só funcionam para motivos de gerenciamento de cap e não servem de “anos reais” no contrato. Esse tipo de ferramenta é utilizado quando se há uma expectativa de renovação futura com o jogador, caso contrário, o time poderá comprometer uma quantia relevante no salary cap para as temporadas seguintes. O exemplo mais recente é de Drew Brees com os Saints, que obtiveram êxito.

No acordo de Brady com os Patriots, ele recebeu um bônus de assinatura de $20,25M a ser dividido em três “parcelas” no cap, ou seja, $6,75M em 2019, 2020 e 2021. Porém, se Tom não renovar com os Pats antes do início da free agency, o pagamento passará a ser “à vista”, sendo assim, o montante restante ($13,5M) será automaticamente subtraído da folha salarial de 2020, independentemente de Brady assinar ou não com New England após a data 17/03 (último dia oficial da temporada 2019 e véspera da free agency). Isso ocorre porque é como se os anos nulos entrassem em vigor, ou seja, o planejamento inicial falhou e as consequências estão aparecendo. Assim, resumidamente:

  • Caso Brady deixe os Patriots: $13,5M de dead money no salary cap 2020.
  • Caso Brady assine com os Patriots após o início da free agency: $13,5M descontados no salary cap de 2020 + o valor do novo contrato.
  • Caso Brady assine com os Patriots antes do início da free agency: $6,5M descontados no salary cap de 2020 + o valor do novo contrato.

Dessa forma, Tom está no chamado “leverage” (vantagem) numa futura negociação com os Pats, já que o time teria que pagar um dead money altíssimo caso a terceira opção não aconteça. Para se ter uma noção, a última vez que New England teve um dead money considerável foi em 2014, devido principalmente a rescisão contratual com Aaron Hernandez, preso por assassinato em 2013 e falecido em 2017, que engoliu $7,5M do cap da franquia.

Ademais, os Patriots não tem nenhum herdeiro do trono de Brady à vista no elenco atual, também não haverá nenhum quarterback, com idade para ser o detentor da posição por muito tempo, que chame tanta atenção na free agency, além de que a escolha original que a equipe detém no Draft, a 23ª, não é suficiente para selecionar os prospectos mais badalados. Destarte, tudo isso acarreta ao time ficar ainda mais “preso” a uma renovação com o GOAT.

Outrossim, em entrevista, o próprio dono da franquia, Robert Kraft, já manifestou o desejo de acertar um novo vínculo com Brady, assim como o camisa 12 deu a entender que sua primeira opção será tentar permanecer em Foxborough.

Para finalizar, já foi informado pelo jornalista Jay Glazer, da FOX, que Brady não planeja dar algum super desconto aos Patriots, como já fez basicamente ao longo de toda sua carreira, e pode ir atrás da proposta mais lucrativa no mercado. De acordo com o site OverTheCap, especializado em finanças da NFL, é esperado que New England possua cerca de $49M disponíveis para contratações/renovações nessa offseason. Esse valor é mais do que suficiente para enviar uma proposta satisfatória a Tom Brady, mas é necessário lembrar que há outros 19 free agents.

Portanto, sem sombra de dúvidas, a offseason será bastante movimentada para Belichick, que precisará fazer engenharias financeiras, mas a prioridade parece clara: manter o maior quarterback de todos os tempos no elenco.

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