Força coletiva x talento individual

Meses após deixar os Patriots, Darrelle Revis voltou a ser notícia em New England por dizer que, perguntado sobre os problemas extra campo do time, os Patriots tinham “um histórico de coisas desse tipo”, causando indignação entre seus ex-torcedores.

Não tenho intenção de entrar no mérito das declarações do cornerback, mas o fato de ele ter voltado a ser notícia “por aqui” ressalta a divisão existente entre os torcedores dos Patriots entre os que se encheram de fúria e os que ainda gostariam que o cornerback estivesse vestindo a linda camisa azul marinho.

Como sabemos, sua saída de Foxborough não se deveu a questões de talento, mas puramente ao alto salário pretendido (e conseguido junto ao New York Jets) pelo cornerback. Em 2015, o salário de Revis terá um impacto no cap de U$ 16 milhões.

Essa situação é interessante porque ressalta um pouco o que é a filosofia de montagem de elenco de Bill Belichick quando precisa escolher entre a força coletiva e o talento individual.

Força coletiva x talento individual

Certa vez Robert Kraft, proprietário dos Patriots, disse que quando se gasta U$ 100 milhões no contrato de um jogador, não se está tornando o time mais forte, mas o oposto, já que essa alta soma daria a possibilidade de trazer vários jogadores para suprir carências do elenco.

Essa parece ser a receita de sucesso dos times de Bill Belichick nos últimos anos, já que o treinador normalmente (há, claro, exceções), não compromete grandes espaços do salary cap com um jogador apenas, tentando usar o dinheiro para trazer vários jogadores de posições importantes.

Como dissemos, o contrato atual de Revis com os Jets tem um impacto no cap de U$ 16 milhões. Esse seria o valor ocupado no cap dos Patriots caso o cornerback tivesse permanecido em Foxborough.

Será que os Patriots deveriam ter comprometido tanto dinheiro com um jogador apenas, ainda que se trate de um de elite?

Analisando o salary cap dos Patriots, pode-se encontrar os seguintes jogadores contratados ou com contratos estendidos nesta offseason e seus cap hits:

JOGADOR CAP HIT 2015 (em dólares)
Stephen Gostkowski 4.590.000
Jabaal Sheard 4.000.000
Scott Chandler 2.250.000
Alan Branch 2.150.000
Bradley Fletcher 2.131.250
TOTAL 15.121.250

O cenário é de que, com quase U$ 1 milhão a menos do que seria necessário dedicar do cap para manter Revis, os Patriots garantiram cinco jogadores de bom nível no elenco.

É lógico que nenhum desses jogadores tem em sua posição o nível de destaque de Revis como cornerback (exceto Gostkowski). No entanto, são sem dúvida jogadores de alto nível e que devem contribuir bastante para os Patriots na próxima temporada.

Stephen Gostkowski é um dos melhores kickers da NFL (para muitos o melhor), e é praticamente automático em field gols de até 50 jardas.

Jabaal Sheard é um jogador bastante atlético e promissor. Certamente vai participar da rotação como defensive end para dar descanto aos titulares Chandler Jones e Rob Ninkovich.

Scott Chandler sempre teve sucesso enfrentando os Patriots. Pelo seu tamanho, tem tudo para formar um verdadeiro “monstro de duas cabeças” juntamente com Rob Gronkowski, principalmente na redzone.

Alan Branch foi muito útil em 2014, contribuindo em quase todos os jogos para parar o jogo terrestre.

E por fim Bradley Fletcher. Fletcher não teve um ano bom em 2014, mas já teve ótimas temporadas na NFL, tendo sido um dos melhores cornerbacks da liga em 2012.

Não se está comparando um jogador de elite em Revis com cinco jogadores quaisquer, mas com cinco bons jogadores que possuem totais condições de serem efetivos para os Patriots na temporada de 2015.

Assim, o recado é claro por parte de Belichick. Quando ele precisa escolher entre gastar determinado valor com um jogador de elite ou vários jogadores bons, geralmente opta pela segunda opção.

Para Belichick, a força coletiva tem prioridade sobre o talento individual.

Logicamente às vezes é preciso dedicar uma grande parcela do salary cap a um jogador apenas, como acontece com Tom Brady (nesse caso, decisão indiscutível). No entanto, esse tipo de compromisso não é normalmente utilizado pelo treinador dos Patriots.

A intenção desse post não é dizer que só Belichick está certo e que esse é o único meio de montar equipes. No entanto, não há como contestar que essa filosofia tem obtido um sucesso sem paralelo na NFL na última década.

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Este post tem 3 comentários

  1. Ótimo post! Entretanto, mesmo analisando o salário do Tom Brady, é mto menor que o que ele poderia receber em qualquer outro time. E o mais interessante é que o próprio Brady abre mão de receber mais para que a equipe tenha mais espaço para contratações, e assim reforçando a equipe.

    1. O salário dele é sim menor, mas ele tem mtos bonus por jogos e conquistas que no fim, dá no mesmo. Esse ano ele tem $8M de salário mais $6M de bonus pela assinatura do contrato e mais uns $4M de bonus por metas, chegando a $18M de impacto no cap. Pra termos uma noção, o Flacco que teve um contrato alardeado como o maior da liga na época, vai dar $12M por ano na média.
      O que o Brady faz e que ajuda muito o time é reduzir o salário garantido, que impacta mais.
      Valeu pelo comentário!
      Abs

  2. Vale lembrar que mesmo Tom Brady precisa de adequar a filosofia da equipe vem primeiro. Mesmo sendo campeão do Super Bowl 4 vezes, ídolo do time, ícone da NFL não ganha um salário nem perto dos maiores salários da posição de QB. Brady abraça a filosofia e sabe que o nome dele está marcado na história porque faz parte de uma dinastia e não porque ele teve o maior salário da NFL.

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