Integridade é uma palavra sem significado para a NFL

Mais de um ano após a final da AFC entre Patriots x Colts, somos novamente obrigados a falar do Deflategate. Infelizmente parece que esse escândalo insiste em não ter fim (até porque ainda há recursos a serem julgados).

Desta vez, não por vontade pura e simples de defender os Patriots, mas por obrigação, tendo em vista que Roger Goodell, comissário da NFL, mais uma vez pisou na integridade que tanto prega defender.

Integridade é uma palavra sem sentido para a NFL

Após todo o esforço, os milhões de dólares gastos em uma investigação e a clara intenção de enquadrar os Patriots em um esquema malicioso de retirar pressão das bolas, a temporada de 2015 da NFL começou com a promessa do comissário de que as bolas dos jogos seriam examinadas para determinar se estariam com a pressão dentro dos limites legais. Assim esteve escrito no Manual de Operações da NFL, em agosto de 2015:

Em jogos designados, escolhidos aleatoriamente, as bolas usadas no primeiro tempo serão coletadas pelo Coordenador das ‘kicking balls’ (bolas utilizadas nos special teams) no intervalo, e o Representante de Segurança da liga escoltará o Coordenador juntamente com as bolas até o vestiário dos árbitros. Durante o intervalo, cada bola de ambos os times será inspecionada no vestiário por membros designados da arbitragem e da segurança, e os resultados do PSI (medida de pressão) serão medidos e registrados. Uma vez medidas, essas bolas serão postas em segurança e retiradas do jogo.”

Mais adiante, completa:

No final dos jogos selecionados, o Coordenador das ‘kicking balls’ retornará as bolas para o vestiário dos árbitros onde as bolas de ambos os times serão inspecionadas e os resultados registrados.”

Como o PSI das bolas era fundamental para a integridade do jogo, a NFL deixou claro que faria um controle rigoroso a fim de que “irregularidades” como a ocorrida na final da AFC da temporada 2014 não voltassem a ocorrer.

Finda a temporada, eis o que tem a dizer o comissário, ao ser perguntado sobre os testes que deveriam ter sido feitos durante os jogos:

Nós fazemos testes pontuais por prevenção e para garantir que os clubes entendam que nós estamos de olho nesse problema. (…) Não foi um estudo, foram apenas testes pontuais”.

Calma. Testes pontuais? Não um controle rigoroso sobre as bolas utilizadas nos jogos? E a integridade do jogo, expressão utilizada à exaustão pelo comissário, onde fica?

O comissário se limitou a dizer que “não houve violações este ano (2015)”. Só isso? E esses “testes pontuais”, onde estão os dados? Quantas bolas ficaram abaixo de 12,5 PSI? Quanta pressão perderam com o frio?

O pior de tudo? A NFL não está guardando os dados das medições! Isso vai além de absurdo, é difícil achar um adjetivo que reproduza a gravidade desse fato.

Após milhões gastos, acusações feitas, informações falsas intencionalmente vazadas, leis científicas ignoradas, reputações destruídas, a NFL, depois de bradar aos quatro ventos que 1 PSI de diferença impactaria a integridade do jogo, simplesmente faz testes pontuais e não divulga os resultados? Ou pior, nem preserva os resultados?

Como a liga pode esperar que os torcedores, que são os consumidores disso tudo, principalmente os do New England Patriots, aceitem o silêncio e o esquecimento após tudo que o comissário os fez aguentar durante meses?

A coisa fica ainda mais ridícula quando no jogo de playoff entre Vikings x Seahawks, onde as temperaturas estavam extremamente baixas, a NFL informou que mediria o PSI das bolas no intervalo.

A liga não divulgou os resultados dessa medição, mas substituiu todas as bolas no intervalo da partida. O que é isso, senão uma confissão de que baixas temperaturas são suficientes para diminuir a pressão das bolas para valores aquém do limite? O que é essa substituição das bolas, senão uma aceitação por parte da NFL dos efeitos da Lei Gás Ideal?

Integridade
Apesar de tantos discursos, aparentemente a NFL não se preocupa com o PSI das bolas. A não ser que sejam dos Patriots.

Os torcedores dos Patriots têm o direito de se sentir ultrajados pela conduta do comissário e da liga desde o fatídico jogo. Além disso, os detratores da equipe de New England e de Tom Brady têm a obrigação moral de questionar a liga sobre não terem divulgado, nem sequer preservado as medições das bolas, sob pena de confessarem que o que importa não é a justiça do jogo e das decisões, mas apenas que os punidos sejam os Patriots.

Robert Kraft, proprietário dos Patriots, após reunir os fãs sob sua bandeira e fugir da luta, tem agora o dever de exigir a reparação dos danos causados à imagem do seu time e lutar pela recuperação das escolhas de draft perdidas (não que eu acredite que ele o fará).

A não divulgação dos dados pela NFL só pode significar uma coisa: as informações coletadas vão de encontro a todos os esforços da liga para destruir a imagem de Tom Brady e dos Patriots.

P.S.: após a publicação desse texto, Dean Blandino, vice-presidente de arbitragem da NFL, fez comentários em sentido oposto aos de Roger Goodell. Blandino disse que a NFL possui dados da pressão das bolas e está avaliando o que fazer com eles. Essa disparidade nos discursos é mais um ponto que enfatiza como não se pode acreditar em nada que vem dos escritórios da liga.

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