Rafael Belattini: A capacidade de mudar para ser sempre o mesmo

Belattini

O sono não teve chance de aparecer no rosto de quem só tinha espaço para o sorriso por toda a terça-feira. 

Não foi apenas a vitória sobre o rival que confiou na mudança de domínio após a saída de Tom Brady. Nem sequer foi a confirmação da liderança da divisão, ou o primeiro posto na AFC. O prazer maior foi outro. 

Uma vitória na casa do rival sempre é saborosa, mas é ainda mais especial quando você demonstra que conhece mais daquele lugar do que os donos. Clima adverso? Oras, nunca nos sentimos mais confortáveis. 

No triunfo contra os Bills, os Patriots mostraram aquela que talvez seja sua melhor característica neste milênio: a capacidade de se adaptar.

O favorito sempre tem o conforto de deixar para os rivais a missão de mudar a forma de jogar para poder confrontá-los, mas o pessoal de Foxboro nunca gostou dessa história de esperar os outros fazerem o primeiro movimento. 

Don Van Natta Jr, da ESPN, cogitou que esse pode ter sido um recado de Bill Belichick para mostrar que ele é capaz de vencer jogos sem nem ter um quarterback. Mas sabemos que aquele velho ranzinza não é disso. O melhor a fazer com o passado é deixá-lo para trás. 

Em mais um exemplo de como lidar com um quarterback calouro, Mac Jones não teve que se arriscar no frio. Só faltou ouvirmos McDaniels mandar o garoto colocar um casaquinho para não tomar friagem. 

Correr é mais seguro? Está dando certo? Oras, então por que vamos mudar isso?

E ainda coube a galhofa de dizer que o plano de jogo de passes ainda estava intacto para usar contra os mesmos Bills daqui três semanas, quando o reencontro acontecerá no Gillette Stadium.

As comparações dos Patriots de hoje com aquele que começou a dinastia no início do milênio não parecem reações exageradas, pois as semelhanças realmente são notáveis. 

E que fique bem claro que não existe comparação de peças específicas – para aqueles apressadinhos que já vão achar que isso é uma afirmação de MJ10 é o novo TB12. O modelo, a fórmula e a forma de trabalho, esses sim, são extremamente semelhantes. 

Em comum está a cabeça de Bill Belichick e a muitas vezes irritante obsessão por detalhes, pela busca por soluções de problemas que podem nem aparecer. 

O melhor de tudo é saber que a nossa euforia pelos recentes resultados, pelas posições em tabelas, o barulho nas mídias, e qualquer outra coisa que possa ser vista como distração, não vão mexer com quem tem que ter os pés no chão. 

Se o quarterback é novo e a maior parte do elenco apenas assistiu aquela dinastia, a comissão técnica já esteve lá e sabe muito bem como agir nessas situações. 

Enquanto ficamos com o sorriso estampado por mais alguns dias, tem gente trabalhando para que ele volte daqui duas semanas, em mais um compromisso desafio contra os Colts em Indianapolis.

E quem sabe o passado não aparece no próximo domingo para nos dar uma ajuda, assustando um velho freguês que já parece ter visto assombrações na fria noite de segunda? 


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