Rafael Belattini: A empolgação da vitória e a “supressão do sucesso”

Belattini

“Eu chamava de suprimir o sucesso”, disse Tedy Bruschi no terceiro episódio de Man in the Arena, ao falar sobre Bill Belichick e sua postura com os jogadores. 

“Poderíamos fazer nosso melhor jogo e vencer por 21 e a defesa poderia segurá-los em talvez três, 10 pontos. Mas essa é a beleza do futebol. Você pode escolher cinco jogadas que não correram bem, e o técnico pode decidir seguir em frente e falar: ‘Ganhamos o jogo’, ou ele pode treinar duro e escolher essas cinco jogadas e nos fazer ver que ainda temos trabalho a fazer”, completou. 

Talvez tenham sido os vários anos aprendendo a ver o jogo desta forma, podem ter sido os livros sobre o ranzinza de agasalho que fica na nossa sideline, mas eu hoje talvez tenha que cortar as mangas do meu agasalho. 

Após o atropelamento sobre os Titans, a sexta vitória seguida, falei do que não gostei e recebi críticas nas redes sociais, no Toque Passa, e sei que vou receber por aqui também. 

Mas é difícil aceitar que a defesa tenha permitido tantas jardas terrestres para os Titans não com Derrick Henry – que nesse momento já seria o MVP unânime – mas com Dontrell Hilliard e D’Onta Foreman. 

Como disse o ex-54, podemos simplesmente comemorar os turnovers forçados, o bom trabalho defensivo do segundo tempo, ou então focar nas 240 jardas da dupla e trabalhar para evitar que isso volte a acontecer. 

Bill Belichick certamente não foi aproveitar a neve que caiu em Foxboro, mas deve ter se afundado em vídeos para ver como atuou um ataque que ainda não tinha Julio Jones e AJ Brown para evitar que Diggs, Allen e companhia criem problemas na próxima segunda. 

Foi assim que a dinastia foi criada e certamente nosso treinador não mudou seu estilo nos últimos anos. Se tivesse que fazer uma aposta, diria que ele piora a cada ano.

Mas é claro que uma vitória por 36 a 13 contra o então dono da melhor campanha da AFC merece ser comemorada, e é óbvio que foi difícil tirar o sorriso do meu rosto ao ver o vídeo do vestiário no pós-jogo. 

A empolgação me fez aproveitar a Black Friday e comprar uma nova camisa, sendo que a única dúvida era o número que iria escolher. Meu 9 da sorte deu trabalho, mas o #10 mereceu meu voto de confiança com essa incrível temporada de calouro. 

A falta de racionalidade fez com que eu me preocupasse até mais do que deveria com o jogo do domingo. Afinal, vai que o fato de você ter quebrado sua regra de não comprar camisa no meio do campeonato acabe “zicando” o garoto. 

Mas não foi necessário muito tempo de jogo para ver que Mac Jones é a prova de qualquer superstição. Ele basicamente riu da minha preocupação. 

As 310 jardas lançadas estabeleceram um recorde para sua carreira de 12 jogos, e o passe preciso lançado para o primeiro touchdown do Bourne fez valer cada centavo gasto da camisa (que é sim cara mesmo em promoção).

Mas quem diria que aquele 2-4 se transformaria num 8-4, liderança da divisão e segunda posição geral da AFC?

Se no ano passado debatíamos e aceitávamos um cenário de anos de times medíocres para “pagar” pelos anos da dinastia, o que dizer desse momento em que já nos é permitido até em sonhar com voos mais altos?

Ao mesmo tempo, Cam Newton jogava e mostrava que a decisão de Belichick pode não ter sido tão difícil assim. E olha que estou longe de ser um hater do camisa 1.

A empolgação, contudo, não pode nos cegar para os problemas que aparecem mesmo em uma grande vitória, como no último final de semana. 

Agora, a última missão antes do merecido descanso é o importante clássico contra os Bills, fora de casa. 

Mais do que qualquer outro duelo dessa última sequência, esse é o jogo que realmente pode fazer New England mudar de patamar, deixar de ser visto como uma sensação que pode brigar para passar a ser um real candidato ao título. 

Se queremos relembrar nossos bons tempos, nada melhor do que uma vitória contra os outrora fregueses que ainda carregam certo favoritismo mesmo estando atrás na classificação. 

Pois que os erros tenham sido aprendidos, corrigidos e a empolgação possa crescer. Mesmo que isso signifique um novo rombo nas economias. 


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Este post tem um comentário

  1. Excelente texto

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