Rafael Belattini: Brady só tem olhos para janeiro

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Mais uma semana, mais uma vitória e, por mais incrível que pareça, pouca gente está totalmente satisfeita com o que está sendo apresentado dentro de campo. Para ser mais exato, com o que o ataque vem apresentando.

Já falamos aqui que pode parecer um caso de “first world problems”, mas trata-se de um nível de exigência alta alimentada por quase duas décadas de uma franquia brigando sempre no topo.

Contra o New York Giants, na última quinta-feira, mais uma vez foi a defesa quem brilhou, evitando que Daniel Jones tivesse uma noite agradável em Foxboro, enquanto o ataque deixou a desejar com muitos erros.

O Felipe Von Zuben já veio aqui mostrar que os números ofensivos deste ano não diferem muito do que foi apresentado no ano passado. A grande diferença é que em 2019 a equipe está invicta e tem, teoricamente, mais tranquilidade para resolver os problemas apresentados.

As dúvidas sobre a franquia não são inéditas nesta época do ano e vale lembrar que na temporada passada muito se questionou sobre a “Dinastia” em dezembro, com derrotas em semanas seguidas e a perda do mando de campo na final da AFC. Deu no que deu.

Tom Brady sempre repete que os playoffs são apenas em janeiro e que muita coisa vai acontecer até lá. E é em janeiro que parece estar focado o pensamento do camisa 12.

Brady sabe que não terá férias em janeiro – ou alguém acha que os Patriots não vão para os playoffs – e sua preocupação parece ser apenas em controlar os meses que restam até 2020 e chegar inteiro no mata-mata, de preferência pulando a primeira semana.

Aos 42 anos, o plano dele não é buscar um quarto título de MVP, mas sim um sétimo anel.

Nada de se arriscar com pancadas que vão acontecer graças a esta linha ofensiva tão defeituosa. Estão chegando pronto para pegá-lo? Se livra da bola rápido ou cai no chão. Nada de bancar o herói.

Brady provavelmente fará o mínimo necessário para vencer as próximas partidas, usando o resto da temporada para trabalhar na correção de alguns problemas, mas sem correr riscos. E em janeiro ele vai com tudo.

Como explicar

São alguns problemas que se acumulam para explicar a baixa produtividade no ataque. Um se apoia no outro transformando tudo em uma enorme bola de neve, mas resolver um pode ser o suficiente para acabar com toda a história.

Vamos começar com a linha ofensiva, que desfalcada não tem conseguido garantir uma proteção que Tom Brady merece. É por isso que o camisa 12 se mostra tão incomodado no pocket, mas não só por isso.

Com Sony Michel tendo problemas para quebrar tackles e sendo atingido rapidamente graças ao péssimo trabalho da OL, a bola acaba nas mãos de Brady mais do que deveria. Aí, pressionado, a solução seria um passe curto, mas Edelman está recebendo marcação dobrada neste ano, já que Gronkowski não está mais lá.

A segunda leitura, para um passe de média ou longa distância, exige mais tempo, sobrecarregando o serviço da linha, e também não é bom por existir uma clara falta de sintonia de Brady com Josh Gordon e pela lesão de Dorsett.

Para a nossa sorte, o 6-0 e um calendário não tão assustador garante um tranquilidade para resolver as coisas. Além disso, alguém tem dúvidas sobre a capacidade de Bill Belichick resolver isso?


Rafel Belattini

Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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