Rafael Belattini: “Cam Newton: não basta pedir desculpas”

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Pedir desculpas para Josh McDaniels no fim da partida foi significativo para Cam Newton, mas ele poderia ter pedido para usar o sistema de alto falantes do Gillette Stadium ou aproveitado a transmissão da TV.

Com nove passes completados de 18 tentados, apenas 84 jardas, duas interceptações e um rating de 23.6, não dá para se apoiar na história de que “na hora que precisou, o ataque apareceu”. 

Trata-se da velha história de “dar o problema para vender a solução”. Bastava ter funcionado durante todo o jogo que o ataque não seria exigido nos instantes finais, oras! E o que dizer dos jogos contra Texans, Bills e Broncos?

Rafael Belattini: “Cam Newton: não basta pedir desculpas”

Cam Newton está longe de ser o único problema do atual elenco do New England Patriots, mas com toda certeza faz parte dele. 

É notória a lentidão na mecânica do passe e a falta de precisão nos lançamentos. Só que o que mais incomoda neste momento é a postura dentro do pocket. 

Incrível ver um jogador com a experiência de Cam, MVP há alguns anos, não conseguir fazer boas leituras pré-snap e demorar tanto com a bola nas mãos antes de tomar alguma iniciativa. O pior é que geralmente ele opta pelo caminho errado. 

N’Keal Harry não passa confiança em ninguém, eu entendo. No domingo ele deixou passar mais um daqueles passes que nos faz lembrar de todos que estavam disponíveis naquele momento do draft, mas se ele está em campo, tem que ser opção, e não foi só uma vez que ele esteve livre e Cam não enxergou.

São vários os motivos para criticar nosso quarterback, mas não consigo acreditar que as coisas estariam melhores se Tom Brady ainda estivesse em New England, ou que tivéssemos optado por outro jogador que estivesse no mercado.

Ah, e lembrem-se que nesta equação precisa entrar o valor irrisório que pagamos para nosso QB.

Mas esta é uma coluna pós-vitória, não? Temos que comemorar alguma coisa e pode ser com um abraço gostoso como o de Bailey em Nick Folk após o field goal de 50 jardas da vitória.

E eu poderia bem comemorar os 90,5% de aproveitamento do nosso kicker em field goals na temporada (19 de 21 sendo 2 de 3 para mais de 50 jardas e 7 de 8 entre 40 e 49 jardas). Só que sabemos muito bem o que acontece quando você elogia um kicker, goleiro ou árbitro antes do fim. 

Por falar em arbitragem, por mais questionável que tenha sido a falta no que seria o retorno de 82 jardas para TD de Gunner Olszewski, a letra fria da regra diz que as zebras acertaram. 

Por mais que o nome da falta seja “blindside block” e jogador dos Cardinals claramente visse Anfernee Jennings, o texto fala em bloqueio de rival em movimento que vai no sentido de sua própria endzone, o que acabou rolando. Temos que questionar a regra e não a aplicação dela.

Se o ataque entregou o que dele se pedia no fim, considero que a vitória se passou mais pelas mãos da defesa e do time de especialistas. 

Nossos touchdowns saíram em campanhas que começaram nas linhas de 46 e 31 do campo ofensivo, além da do lance de Olszewski na linha de 24 que terminou no chute de 22 jardas. 

Já a defesa teve seus bons momentos, em que pese as dúvidas sobre a real condição física de Kyler Murray. 

Se na semana passada nossas chances de playoffs eram de 8% segundo o Football Power Index, da ESPN, agora saltamos para 13%. Mas você acredita nisso? E, sinceramente, qual o motivo para irmos para a pós-temporada?


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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Foto de capa de Billie Weiss | Crédito: Getty Images

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