Rafael Belattini: Com ou sem Brady, Patriots com o futuro em jogo

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Passados alguns dias acho que já superamos a dor da eliminação, certo? Por mais que o
desenrolar dos playoffs nos mostre que uma vitória contra Miami poderia mudar muita coisa,
é hora de aceitar e seguir em frente (aliás, teríamos chances contra os 49ers?).

Seguir em frente para o New England Patriots significa olhar para o passado e buscar
inspiração para decisões que vão afetar muito o nosso futuro.
Pois há 26 anos Robert Kraft decidiu investir parte de sua fortuna em um time que não tinha
feito grande coisa na liga e corria sério risco de mudar de sede. Que bela decisão.

Agora a questão é, sem sombra de dúvidas, uma das mais importantes e complicadas de toda a história da franquia: seguir com Tom Brady ou dar um passo adiante na inevitável caminhada sem o maior ídolo?

É claro que esta decisão não depende apenas de Robert Kraft, ou então já estaria resolvida
com a permanência do camisa 12. Brady precisa querer ficar e aceitar o que lhe for oferecido, e Bill Belichick também precisa entender que o quarterback ainda tem algo a oferecer.

O importante nisso tudo é entender que seja qual for a decisão o resultado não deve ser
avaliado apenas pelo que acontecer na próxima temporada. Repito: é o futuro do New England Patriots que está em jogo.

Para ficar bem claro devemos voltar 20 anos no tempo. Em janeiro de 2000, Kraft travou uma briga com o Jets e teve que “pagar” com a escolha de primeira rodada daquele draft para conseguir ter Belichick como seu head coach.
O que diziam na época? Bom, para diversos especialistas tratava-se de uma atitude pela qual Kraft ia lamentar no futuro.
A temporada daquele ano, com um 5-11, poderia decretar que aqueles críticos de Belichick tinham toda a razão e acredito que muitos deles comemoraram tal visão acertada. Mas o tempo mostrou que não era bem desse jeito.
Em 2003 foi a vez de Bill Belichick ser questionado. Depois de ser campeão o time não foi para os playoffs na temporada seguinte e, às vésperas de seu quarto ano, a dispensa de Lawyer Milloy mexeu com os torcedores.

Na primeira semana a derrota para o Buffalo Bills – novo time de Milloy – por 31 a 0 mostrava para muitos que Belichick havia errado, “perdido o vestiário” e sua passagem não duraria muito mais. Bom, mais uma vez o tempo disse a verdade.
Seja qual for o final da novela envolvendo Tom Brady – e que provavelmente só saberemos em março – o que devemos é analisar friamente o que pode dar certo e o que pode dar errado disso tudo. Por mais que alguns gostem de fazer “decretos” sobre determinadas situações, ninguém é dono de uma bola de cristal para saber o que vem por aí.

Não se trata de covardia, de medo de se arriscar com uma opinião. Acontece que qualquer
afirmação sobre o que acontecerá com a saída ou não de Tom Brady, na verdade, não passará de um chute. Pode ser embasado em muita coisa, mas é um exercício de adivinhação, como fizeram em 2000 e em 2003.

Pessoalmente acho que a permanência de Brady é o melhor para os dois lados. O QB seguirá trabalhando com quem conhece (Belichick e McDaniels), dentro de um sistema que ele ajudou a formar, sem precisar provar que não é um quarterback de sistema, ou coisa do tipo.
Já New England, que até onde sabemos ainda não tem um QB pronto para assumir o posto de titular, ganharia mais um tempo com um ainda ótimo jogador para planejar melhor o futuro.
Mas se a decisão dos Patriots for a de deixar Brady sair, não será um caso de ingratidão. Vale lembrar que foi o próprio Tom Brady que pediu um contrato em que ele ficaria livre para
decidir seu futuro em 2020. Se vale para um, vale para os dois lados.

A franquia apostou naquele velho clichê: “Se você ama, deixe livre”.
Se Brady não voltar, não é por nunca ter sido realmente dos Patriots. Sua história está mais do que impregnada no DNA vitorioso da franquia, assim como o Flying Elvis estará para sempre cravada na história do jogador.

Brady diz estar com a “mente aberta” na free agency enquanto Kraft “tem planos para trazê-lo de volta”. O que vai acontecer? Sei lá.
Só sei tempo dirá se todos acertaram ou não, mas torceremos para que todos os lados saiam vencedores nessa história, certo?


Rafael Belattini

Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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