Rafael Belattini: Ecos de uma bola na trave

Belattini

O som de uma bola explodindo na trave pode te aterrorizar por quanto tempo, hein? 

Porque se eu não tinha problemas em encontrar o “ex”, o som do metal sendo atingido na noite chuvosa de Foxboro ainda ecoa na minha cabeça deixando um “e se…” diferente a cada visita. 

Mas por que remoer um momento se aquele encontro todo acabou saindo melhor do que esperávamos?

O 1-3 na classificação, sinceramente, não me incomoda, pois vejo um time evoluindo, conseguindo segurar os atuais campeões do Super Bowl e candidatos ao bi em menos de 20 pontos.

Perdemos por um detalhe que talvez não seja a precisão de acertar uma trave a 56 jardas de distância, ou então a decisão de ter chutado ao invés de arriscar uma quarta para três (o que eu gostaria de ter feito). 

Talvez tenha sido o fumble juvenil do Taylor, ou aquela vez que Mac Jones não viu Hunter Henry livre no seu lado direito. 

Podem ter sido as faltas mal marcadas ou que foram deixadas de marcar, ou aquelas flanelas que voaram com razão, mas foram provocadas por erros que um time de Bill Belichick não costuma cometer na Semana 4 de uma temporada. 

Foi o que foi e repito: esperava que fosse bem pior.

Não arriscar a quarta descida pode ter colaborado com o futuro do nosso quarterback, que não correu o risco de conviver com inúmeras comparações caso não conseguisse converter aquilo que o “ex” fez tantas vezes. 

A explicação pela decisão e derrota fica com Folk, veterano e cascudo que tem o atenuante da condição climática, e Belichick, que obviamente não está nem aí para a nossa opinião sobre a decisão que ele tomou. 

Poderíamos ter vencido e isso é o que importa. 

Aliás, tem outra coisa. Sabe aquele sentimento mexido que você tinha enquanto aguardava ver Tom Brady com o uniforme errado em Foxboro? Pois é, parece que o camisa 12 também sentiu isso. 

Porque ele não foi o melhor QB dentro de campo – e será que podemos definir que foi Jakobi Meyers? – e me pareceu sentir o mesmo abalo psicológico que sentíamos. 

Não era apenas o sentimento da necessidade da vitória que compartilhávamos naquela noite, pode ter certeza. 

De resto, foi ótimo ver a defesa vibrar e ler bem as intenções do melhor quarterback de todos os tempos que era o rival daquela ocasião. 

E como não deixar transparecer a felicidade por ver um ataque se arriscando com passes em profundidade e jogadas criativas que nos fizeram relembrar os bons momentos de um passado tão próximo?

Oras, se o jogo terrestre não encaixa, arrisque um passe para o tight end no fundo da endzone logo na primeira para TD na linha de 1 jarda.

Que esse Patriots da noite de domingo não seja aquela pessoa que sabe que vai encontrar o(a) “ex” em algum lugar e se arruma como nunca só para mostrar que está bem, que superou, mas volta a se afundar assim que tal pessoa vira a esquina. 

Agora é pensar semana a semana para, quem sabe, marcar um novo encontro em fevereiro, oras!

Nós sentimos e ele sente.


Foto de capa de Paul Rutherford – USA Today Sports

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