Rafael Belattini: Fantasma, Bicho Papão e outras coisas que assustam os Jets

Rafael Belattini New England Patriots defesa

Não saberemos se foi por medo do Bicho Papão ou de fantasmas, mas Sam Darnold
certamente dormiu com as luzes do quarto acesas após o atropelamento no MetLife Stadium,
na noite da última segunda-feira.
A noite foi um verdadeiro pesadelo para o quarterback que demonstra sim um bom potencial
e na última semana foi importante na vitória contra o Dallas Cowboys. Darnold saiu de um
rating 113,8 para um de 3,6.
Essa é uma amostra de que a defesa realmente é boa e não está apenas se favorecendo do
fraco calendário que enfrentou até a Semana 7.

MAIS UM SHOW DA DEFESA

Já que falamos dela, vamos seguir elogiando este setor que foi alvo de tantas e tantas críticas nos últimos anos, mas em 2019 o cenário virou completamente e faz muito torcedor
considerar a chance de comprar camisas que não tenham os números 12, 11 ou 87.

Já são 18 interceptações, a segunda maior marca após sete jogos nos últimos trinta anos, ficando atrás dos Packers de 1996, que tiveram 20. E vocês se lembram bem o que aconteceu com Green Bay no começo de 1997, certo? Bateram os Patriots de Bledsoe no Super Bowl.

Ontem foram 5 turnovers, já que Sam Darnold teve ainda um fumble além das quatro interceptações, e um safety. Já são 22 turnovers no total. Nada mal mesmo.

Um ponto interessante destacar é como a defesa consegue mascarar muito bem qual vai ser o sistema de cobertura. Foram várias oportunidades em que os 11 jogadores estavam a cinco jardas da linha de scrimmage, mas quando o snap acontecia apenas quatro iam pressionar o QB e todo o restante do grupo acompanhava tranquilamente seus alvos.

Darnold pode ter visto fantasmas, mas certamente não fazia ideia do que estava vendo entre o grupo de carne e osso.

Matt Patricia se foi, Brian Flores também, mas a defesa nunca foi tão boa quanto é hoje em dia.

ATAQUE DÁ BONS SINAIS

Os Patriots começaram com a bola e a primeira campanha parecia que iria durar por toda a noite. Foram 8 minutos e 47 segundos para andar 78 jardas em 16 jogadas e finalizar com o touchdown de Sony Michel.

Principalmente nesta primeira campanha foi bom ver algumas jogadas criativas, movimentações pré-snap que confundiram a defesa dos Jets, além da participação de Bem Watson, trazendo uma ponta de protagonismo para os tight ends novamente.

Outro ponto que merece destaque é Jakobi Meyers, o calouro não draftado que teve mais um jogo demonstrando evolução, recebendo a bola nas cinco vezes que foi alvo e somando 47 jardas. Ele ainda poderia ter uma jogada colossal, mas foi parado com uma interferência proposital de um defensor totalmente desesperado.

ALGUNS AJUSTES NECESSÁRIOS

A linha ofensiva se portou muito bem durante o primeiro tempo do jogo, dando tempo para Brady encontrar seus alvos, mas houve uma queda no terceiro quarto, quando o camisa 12 acabou sendo pressionado e teve que se livrar da bola – por mais que ele tenha brigado, foi claro o intentional grounding.

O jogo corrido também não pode se apoiar nos três TDs de Sony Michel, pois segue com uma produtividade muito baixa. Foram 74 jardas em 34 tentativas. A média é exatamente a mesma de Michel, que teve 42 jardas em 19 carregadas, com 2,2 por jogada.

Belichick tenta ajudar improvisando um fullback. Na falta de James Develin, James Ferentz (center reserva), Elandon Roberts (linebacker), e os tight ends Ben Watson e Eric Tomlinson foram improvisados na função, mas sem empolgar.

CHEGOU REFORÇO

Alerta de trocadilho tosco: O ataque não passa mal a ponto de precisar de ajuda do SAMU, mas a chegada de Sanu é de bom grado.

Espero realmente que não tenham abandonado o texto, mas acho interessante a troca pelo WR do Atlanta Falcons. Afinal, se uma escolha de segunda rodada parece um preço caro, os últimos problemas com os recrutados nesta rodada amenizam a coisa.

Sanu tem talento de sobra para ajudar neste ataque que tem Josh Gordon lidando com uma lesão e ainda um pouco fora de sintonia, e a chance da inclusão de N’Keal Harry, mas vale lembrar que o calouro nunca jogou um snap na NFL.

Se as coisas parecem boas para muitos, os Patriots acreditam que podem ser ainda melhores. É isso o que torna a franquia tão vencedora. Como destacou Peter Schrager, no Good Morning Football, é o tipo de movimento que transforma milionários e bilionários.


Rafel Belattini

Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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