Rafael Belattini: A história manda acreditar, mas… será?

Rafael Belattini New England Patriots Tom Brady

Assim como Bill Parcells, Bill Belichick também acha que a temporada da NFL começa apenas depois do feriado de Thanksgiving. Sendo assim, o ano não começou nada bem para o New England Patriots.

Revisitando minha primeira coluna por aqui, escrita logo após o primeiro jogo da temporada pelo calendário da NFL e não dos “Bills”, li a seguinte afirmação: “a profundidade deste grupo (de ataque) é de tirar o sono dos rivais”. E foi realmente essa a impressão que foi passada naquela noite no Gillette Stadium. 

Passadas 13 semanas e quem está sem dormir pensando na profundidade do ataque dos Patriots é o próprio torcedor de New England, que não vê outra possibilidade que não acreditar que vai melhorar simplesmente porque sempre melhorou.

A partida contra Houston – que mais uma vez nos fez acreditar em uma virada milagrosa apenas por estarmos no local em que isso já aconteceu – foi um deleite para aqueles que gostam de leitura labial.

A cada ida para a sideline, Tom Brady não escondia sua insatisfação com o grupo de recebedores. Não que o camisa 12 esteja voando e sofra, como no Super Bowl XLVI, mas ele realmente tem motivos para reclamar.

Tanto esperamos a volta de N’Keal Harry, mas em seu segundo jogo ele pouco jogou, sendo colocado na “casinha do cachorro” após claramente errar a rota no que acabou sendo uma interceptação. Além de errar, ele ainda caiu sentado para trás, sem nem brigar com o defensor. Um erro que Belichick não perdoa.

Ainda olhando o que escrevi em outras colunas, percebo que errei também ao imaginar que corrigindo um dos diversos problemas do ataque as coisas poderiam se encaixar. Não é bem assim.

Perder Ted Karras (ainda bem que não em definitivo na temporada) não ajudou, mas Brady nunca teve tanto tempo para lançar nesta temporada como teve em Houston. Aí veio o problema: quem vai receber?

Sanu primeiro não entendeu o sinal feito por Brady antes do snap, tirando o quarterback do sério mais uma vez, e depois cansou de parar no meio de rotas e ainda dropou um passe importante numa questionável tentativa aérea de quarta descida para uma jarda.

Julian Edelman e James White acabaram sendo as soluções de sempre, o que complicava bastante pelo camisa 11 passar quase todo o jogo com cobertura dupla.

Josh McDaniels também parece um pouco perdido nas chamadas, mas minha sensação é de que ele não tem confiança nem quando chama jogadas simples, então como propor uma coisa mais complicada, que demande mais leitura dos WRs e entrosamento com Brady?

Ainda sim acho que dá para fazer mais, como por exemplo explorar mais Rex Burkhead, que é um jogador versátil e aparece tão pouco, sendo que pelo tempo de casa já deve estar mais entrosado.

Enquanto meu sono é afetado pelo ataque, a ponto de me fazer até mudar a estrutura tradicional desta coluna, só me resta buscar conforto na defesa e no time de especialistas.

Por mais que no último domingo eles não tenham conseguido desequilibrar o jogo a favor de New England, ainda é melhor esperar algo deles para que o jogo contra o Kansas City Chiefs não seja um novo pesadelo.

Pelo segundo ano seguido os Patriots nos deixam pouco confiantes no mês de dezembro. Mas nos resta torcer para que o desfecho seja o mesmo visto no começo de 2019. Afinal, já aconteceu antes, certo?


Rafael Belattini

Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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