Rafael Belattini: O melhor a fazer é pensar em 2021

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Como a vida é feita de boas e más notícias, a boa é que aquela dúvida que levantamos na semana passada já foi encerrada. Definitivamente, não vamos lamentar por muito tempo o tropeço diante do Denver Broncos. Afinal, janeiro deve ser um mês de férias.

Em duas semanas o New England Patriots conseguiu destruir toda e qualquer imagem positiva que passou nas quatro primeiras rodadas, até mesmo na derrota diante o Kansas City Chiefs.

Rafael Belattini: O melhor a fazer é pensar em 2021

Na era Super Bowl, nunca um time que começou com campanha 2-4 chegou à grande decisão, mas não acho que tenha um torcedor consciente imaginando que o fim da temporada envolva a briga pelo Vince Lombardi.

A partida contra o San Francisco 49ers foi uma das coisas mais dolorosas de assistir nos últimos 20 anos. Desde o momento em que a defesa permitiu um touchdown na primeira campanha, algo extremamente raro, não nos foi permitido sonhar com um destino melhor.

Se elogiei Cam Newton por admitir que ele tinha culpa no revés diante dos Broncos, sua fala desta semana, confirmando que precisa jogar melhor se não quiser ir para o banco, não foi das melhores. Ele merece banco, mas não temos quem colocar.

A esperança de que Jarrett Stidham pudesse ser a futura cara da franquia já não aquece mais o coração de ninguém. Afinal, em seus primeiros 20 passes na NFL foram quatro interceptações, e não tem como comparar com o início difícil de alguns jogadores que virariam astros. O teto aqui parece realmente baixo.

Ninguém discute a capacidade de Bill Belichick, que para mim é o maior responsável por todo o sucesso que a franquia teve nos últimos 20 anos. Porém, o trabalho deste ano é bem abaixo da crítica.

A montagem do elenco não agrada e já pondero a chance de grandes nomes, como o de Gilmore (que já foi oferecido antes mesmo da temporada começar), serem negociados para abrir espaço para uma grande reformulação em 2021.

Pois o caminho possível parece ser realmente esse: planejar o próximo ano e considerar que o salary cap pode até diminuir.

Eu sei que prometi que não falaria mais de Tom Brady neste espaço, mas faz-se necessário. Não para lamentar a ausência do jogador, que está arrebentando mais uma vez em Tampa Bay, mas sim para justificar sua saída.

O camisa 12, aos 43 anos, não quer pensar em 2021, 2022, etc. Brady sabe que joga contra o relógio e não pode passar um ano jogando em um time que será coadjuvante na temporada, e este é o caso do New England Patriots.

Seria melhor tê-lo como quarterback neste momento? Possivelmente. Mas ficou claro no ano passado que o #12 não é capaz de fazer milagres tão poderosos. Se já levou uma das piores defesas ao Super Bowl, a falta de alvos mostrou ser sua criptonita.

Por isso mesmo Tom Brady optou por migrar para o sul. Fez bem e tem alvos mais do que suficientes para não precisar passar pelo ridículo de agora buscar Antonio Brown.

Já em Foxboro não será apenas o clima que ficará cada vez mais frio. Sorte da torcida que não precisa congelar nas arquibancadas do Gillette Stadium para ver uma exibição pior que a outra.

Que este seja apenas mais um motivo para deixarmos 2020 na gaveta dos piores anos da história. Mas que as lições sejam aprendidas, pois precisamos de motivos para voltar a sonhar. 


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

Foto de capa de autoria de Maddie Meyer / Getty Images Sport / Getty.

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