Rafael Belattini: O shutout nos permite sonhar?

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Não tem como olhar uma vitória por 45 a 0 e tratar com indiferença. 

Por pior que seja a equipe do Los Angeles Chargers, isso não é para qualquer um. E eu particularmente não considero a segunda franquia de LA um desastre completo (por mais que a impressão seja realmente essa).

Justin Herbert foi mais um calouro a sofrer nas mãos de Bill Belichick, e não dá para julgar o novato por se dar mal ao tentar ler a defesa treinada por uma das melhores mentes do setor na história da NFL. 

Rafael Belattini: O shutout nos permite sonhar?

A defesa merece parabéns, mas nosso grande diferencial no domingo foi outro setor tão amado pelo head coach: o time de especialistas. 

E desde o primeiro punt já ficava a impressão de que a coisa poderia ser boa, apesar da frustração com o touchback após a bola quicar na linha de uma jarda com um jogador bem ao lado dela (mas impedido de tocar). 

Gunner Olszewski – por quem tenho uma enorme simpatia sem nem saber ao certo o motivo – foi o nome do jogo. Um touchdown com retorno de 70 jardas no começo do segundo quarto, outro retorno de punt para 61 jardas e uma recepção para TD para coroar a exibição. 

Premiar Olszewski como o jogador de special team da semana seria justíssimo, ainda mais se ele for a representação de todo um setor que deu show, com ainda um TD de Devin McCourty após um field goal bloqueado. 

Só que é preciso lembrar que nosso quarterback não é, definitivamente, o mais sexy do mundo com apenas 69 jardas aéreas na partida. E isso meio que me impede de parabenizá-lo por ter conseguido, pela terceira vez na carreira, anotar 10 TDs terrestres em uma temporada. Afinal, ele é um quarterback.

Só que a semana é curta e não dá para ficar festejando ou cornetando por muito tempo. O Thursday Night Football está aí e – vamos falar bem baixinho, tá? – será possível até sonhar com algo se a viagem para Los Angeles terminar com dois Ws na mala. 

No entanto, apenas o SoFi Stadium será algo em comum entre as duas partidas.

É inimaginável que Damien Harris tenha mais uma partida com cinco jardas por corrida contra a terceira melhor defesa terrestre da temporada. 

Dar conta de Aaron Donald, como fizemos no Super Bowl LIV, será fundamental, mas ele conta com ajuda de Michael Brockers, Joseph-Day, Reeder e Young, e a linha ofensiva vai precisar ganhar dobrado se conseguir abrir espaços. 

Se correr é ruim, passar não é muito melhor. Os Rams tem a terceira menor média de jardas aéreas permitidas por jogo (198) e a menor de jardas por tentativa (5,5). E não precisa ser nenhum gênio para prever que nosso ataque tão pedestre terá problemas. 

Não quero, de forma alguma, descrever os Rams como candidatos ao Vince Lombardi – pois não acho que sejam – só que é importante, principalmente depois de um 45 a 0, preparar o torcedor para uma noite que tem muito potencial de ser de sofrimento. E sofrimento não necessariamente quer dizer derrota. 

Bill Belichick sempre disse que a temporada começava pra valer depois do Thanksgiving e nesse recorte estamos 2-0 com 65 pontos marcados e 17 sofridos. Pena que a absurda derrota para Broncos e o também inaceitável revés para os Texans vão pesar. 

Se a vaga para os playoffs não vier, que ao menos tenhamos momentos tão divertidos neste último mês como tivemos no domingo. 


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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Foto de capa de AP Photo/Ashley Landis.

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