Rafael Belattini: Patriots e seu repetitivo jogo de muitos erros

Belattini

Confesso, amigo leitor, que não está fácil escrever esta coluna, mesmo tendo tomado um tempo para digerir tudo o que aconteceu no domingo. Ou melhor, o que não aconteceu e deveria ter acontecido. 

Esta é a quarta versão que escrevo e, como você está lendo, é a definitiva. 

A minha maior preocupação é não soar repetitivo, mas isso é uma missão muito complicada com um time que tem se repetido por tantas vezes na temporada. 

Rafael Belattini: Patriots e seu repetitivo jogo de muitos erros

Dá para dizer que contra o Houston Texans sentimos falta dos fatores climáticos que tanto nos ajudaram na semana passada, e acabamos perdendo para dois jogadores: Deshaun Watson e JJ Watt.  

Eu admito que apesar do meu texto na semana passada ser tão comedido, uma ponta de esperança apareceu no meu coração naqueles dias. Poderia ter sido contra os Ravens a fagulha que faria os Patriots voltarem ao ritmo do começo da temporada. Mas não foi. 

Se os especialistas apontavam como positiva a chance de enfrentar três quarterbacks móveis em sequência (Lamar, Deshaun e Kyler), já não precisaria mudar a estratégia de jogo de uma semana para outra, não deu para tirar nada de muito bom. 

Watson basicamente não foi incomodado e terminou a partida com 344 jardas aéreas, dois passes para touchdown e mais um corrido. As pressões da defesa, ele tirou de letra. 

Aliás, nosso setor defensivo segue parecendo ser formado por um bando de crianças jogando contra adultos. Consigo lembrar de apenas um tackle que foi dado logo na primeira tentativa de derrubar o jogador. 

Assim como Watson conseguia fintar e se livrar da marcação com muita facilidade para fazer passes, até o wide receiver mais esguio conseguia sobreviver aos primeiros impactos dos defensores, rebocar alguns de branco. Ou então ser empurrado no sentido errado, rumo ao 1st down, num claro exemplo de camaradagem e fair play do nosso time em 2020. 

E o ataque… bem, preciso mesmo falar que voltamos a chamar jogadas de corridas ou screens que claramente não tinham a menor chance de funcionar em terceiras longas? Ou vale destacar apenas a atuação do Byrd – que realmente merece elogios – enquanto nossa primeira escolha N’Keal Harry não serviu nem para fazer um bloqueio. 

Se a Football Power Index, da ESPN, nos dá 8% de chance de irmos aos playoffs (estranhamente mais que os Dolphins, com 6%), temos que ter bom senso e aceitar que em janeiro vamos apenas secar os rivais ou matar a saudade do ex.

Vamos aproveitar as seis semanas que restam de futebol americano, imaginar um futuro em que acertamos no draft, seduzimos todos com o bom espaço de cap que teremos, e contamos com o retorno daqueles que decidiram não jogar por medo da Covid-19. 

Já não resta nenhuma brasa para Newton e companhia acenderem uma chama no meu peito em 2020. 


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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Foto de capa de Carmen Mandato/Getty Images.

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