Rafael Belattini: Que o domingo não nos doa em janeiro

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Todo ano essa história desconfortável acaba acontecendo: contra um adversário claramente mais fraco, a vitória escapa pelos dedos e tudo o que parecia bom passa a ser questionado. 

Não há uma forma de ter saído otimista do domingo. Contra os Seahawks e os Chiefs as derrotas doeram pois parecia possível ter saído com uma vitória. Contra o Denver Broncos não dá para distinguir o que é dor e o que é ódio. 

Rafael Belattini: Que o domingo não nos doa em janeiro

Pode ser que em janeiro lembremos desse jogo como o diferencial entre o sucesso ou o fracasso, como aquela derrota em casa para o Philadelphia Eagles em 2015, ou para o Miami Dolphins no ano passado. 

Claro que os otimistas vão lembrar que pode se tratar apenas de mais um caso igual ao “Miami Miracle” que, bem, só deu um gosto ainda mais especial ao sexto anel com a vitória no Arrowhead.

Torço pelo segundo cenário, mas temos que concordar que ele parece o menos provável no momento. 

As conturbadas semanas impediram os treinos presenciais? Sim, mas o mesmo aconteceu com os Titans, que venceram os Bills na terça e os Texans no domingo, indiscutivelmente adversários mais complicados. 

Os desfalques certamente influenciaram muito, pois a gente sabe muito bem o que é ter que jogar com uma linha ofensiva que não colabora com o jogo corrido nem dá tempo de lançar a bola. 

Mas na minha leitura o que realmente faltou no final de semana foi concentração. 

O foco que aparecia para a defesa nas jardas finais do campo (evidenciando que Drew Lock não é um novo Peyton Manning como parecia ser no centro do campo) e também nas campanhas bem sucedidas no fim do jogo, que nos deixaram com esperança. 

Cam Newton apontou os dedos para ele na derrota, mas ela deve ser igualmente dividida entre jogadores e comissão técnica. 

Chamadas desastradas de uma parte, leitura desleixada de outra, e também falta de cuidado com a bola, fosse para evitar um fumble, como para fazer uma recepção ou então conseguir uma interceptação. 

Jonathan Jones e J.C. Jackson colaboraram com interceptações importantes, mas não há como comemorar numa derrota. Eles tiram notas boas, mas neste tipo de escola ou passa a classe toda ou não passa ninguém. 

Como não podemos mudar o passado, precisamos olhar o terceiro lugar na AFC Leste e ganhar força com isso, realmente ficando indignado por essa incomoda posição e campanha abaixo do .500. 

Domingo é dia de Jimmy Garoppolo se reencontrar com o Gilette Stadium. Triste que as arquibancadas sigam vazias (triste, mas necessário), só que a ideia não pode ser de receber bem o ex-futuro-sucessor de Tom Brady. É dia de “sangue no olho”.

Teremos desfalques dos dois lados, como é normal já nesta época do ano, se aproximando do meio da temporada. Só que isso não pode ser desculpa. 

Para resgatar a confiança do torcedor a solução será engatar uma série de vitórias. Quem sabe assim possamos olhar para o passado e entender que o domingo não passou de uma pequena queda, como aquela do N’Keal Harry.


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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Foto de capa de Billie Weiss/Getty Images.

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