Rafael Belattini: Sai dessa de amor

Brady

Talvez seja uma questão de costume, por vermos tantos jogadores do nosso futebol surgindo de categorias de base de clube e demonstrando gratidão pelo apoio que receberam. 

Mas o tal “amor à camisa” já é muito questionado desde que o futebol passou a ser um esporte profissional. Como na vida “civil”, todos buscam o que é melhor para si e é comum ver um jogador deixando seu clube formador de mãos abanando. 

Na NFL o tal amor, sinceramente, nem deveria ser discutido. Os jogadores se formam em suas escolas, com os pais muitas vezes incentivando e pagando clínicas especializadas. Depois, muitos recebem a oportunidade de escolher a universidade que defenderão. Virar profissional, contudo, é outra história. 

Ter seu nome chamado no Draft certamente é uma grande honra, um motivo de orgulho e gera um agradecimento ao time que resolveu gastar uma pick apostando no seu talento. Mas, salvo raríssimas exceções, você não tem escolha. Vai para a cidade que for e agradeça por isso. 

Por que estou falando tudo isso?

Pois após o Super Bowl LV choveram mensagens sobre Tom Brady e o motivo dele ter saído de New England.

É isso. Faz quase um ano, mas sei que não é fácil superar. 

Não há meias palavras para explicar o que aconteceu. Podem doer, mas elas precisam ser ditas.

Aos 43 anos, Tom Brady não quer apenas jogar na NFL até os 45 (ou além). Ele quer ganhar, quer mostrar que a idade não o define, seja para provar o quão bom ele é ou para vender livros e dietas milagrosas. 

A prova de que o que mais interessa a ele são títulos é que ele passou anos e mais anos aceitando receber bem menos do que poderia receber, garantindo espaço no cap para formar times fortes. 

Aparentemente Kraft e Belichick fizeram um planejamento espetacular para dar ótimos últimos anos de carreira para Brady. Mas erraram em quais seriam os últimos anos. 

Qualquer outro ser humano normal teria conquistado seu sexto título aos 41 anos e dito “adeus, obrigado pelos peixes”. Mas Brady ainda tem sede, e 2019 e 2020 não seriam bons anos para matá-la em New England. 

Acredito sinceramente que o camisa 12 tenha carinho pela franquia. Ele nunca escondeu a admiração e gratidão que tem por Robert Kraft e também dirigiu palavras afetuosas para Belichick – mesmo sabendo que muitas pessoas não querem acreditar nelas. 

Quando sua carreira acabar – sabelá Deus quando será isso – ele certamente será homenageado no Gillette Stadium, terá sua camisa aposentada e deve ser visto em ocasiões especiais por lá.

Mas para Brady não há como ficar satisfeito com cinco, seis, sete anéis. Ele vai querer mais enquanto tiver forças nos braços para lançar uma bola de futebol americano.

Patriots e Buccaneers deve ser o jogo em Canton dentro de alguns anos, para homenagear Brady assim que for eleito para o Hall da Fama. Mas se Tampa não tiver como ser competitivo num futuro próximo e Brady ainda tiver força, pode apostar que um terceiro time entra na história. 

E se você é do time que acredita numa disputa pessoal entre Brady e Belichick, oras, então comemore, pois o treinador deve estar afundado em estatísticas para dar o troco em 2021.

Que seja a motivação para nosso sétimo anel, certamente mais bonito do que um com dois diamantes da equipe da Flórida. 


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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Este post tem um comentário

  1. Aconselho a leitura do artigo do Gary Tanguay no WEEI dizendo que BB foi a razão da saída do Brady por três fatores : Deflategate (falta de apoio ou defesa por parte do BB), Alex Guerrero (implicância e expulsão do personal do Brady) e por fim Malcon Butler (a razão do bench do Butler no SB 52 foi por questões pessoais do BB. Butler teria se desentendido com Steve Belichicki dias antes). Em suma, BB pode ser um gênio mas sua arrogância e prepotência se tornou insuportável para o Brady.

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