Rafael Belattini: Segurem o choro, mas preparem o “adeus”

gronkowski

Uma semana sem New England Patriots em campo e dá para dizer que a franquia conquistou algumas vitórias. Afinal, o Kansas City Chiefs ficou mais distante na briga da conferência e o Buffalo Bills se afastou mais na divisão.

O próximo desafio é o Philadelphia Eagles, algoz em 2018 em um Super Bowl que Tom Brady já afirmou que “não ficou para trás”. Afinal, como aceitar uma derrota em um jogo você lançou para 505 jardas, três touchdowns e sem interceptações?

O camisa 12 tem seus desejos de vingança e a equipe toda – espera-se – quer dar uma resposta após a queda da invencibilidade perante o Baltimore Ravens. Mas nosso assunto agora é outro.

Quero aproveitar o final de semana em que ficamos longe da equipe para falar sobre desprendimento.

Se o poeta disse que “amores vêm e vão, são aves de verão”, o calor desta dinastia já conforta toda uma geração. Afinal, são quase duas décadas em que a ideia é começar a temporada sonhando com o Super Bowl.

Só que apesar do meme brincar que a dinastia não acabou, sabemos que ela vai acabar. E este dia está cada vez mais próximo.

Vamos começar falando sobre as chances de Rob Gronkowski voltar a colocar os pads. A notícia no domingo foi do pedido de Robert Kraft para que o #87 voltasse para o fim da temporada e playoffs, mas é muito pouco provável que isso aconteça.

Além do envolvimento com o canabidiol, Gronk deixa aberta a chance de voltar sempre que é perguntado, mas nunca deixou claro o desejo de novamente entrar em campo e sentir todas aquelas dores que sentiu na carreira. A fala de Kraft foi a que qualquer torcedor se tivesse a chance de pedir pessoalmente.

Outro caso de desprendimento necessário é com o dono da #12. Aos 42 anos, Tom Brady minimiza a casa posta à venda – é claro que ela não será vendida rapidamente – e garante querer jogar até os 45 anos. Mas você realmente consegue imaginar que temos três anos com o QB?

Neste momento, seu rating é o pior desde 2013 e, em que se pese os problemas com linhas e corpo de recebedores, é notável que o quarterback é cada vez mais um gerente do ataque. O melhor dos gerentes, talvez, e ainda capaz de grandes jogadas, mas a idade chegou.

Vai chegar o momento de se despedir do responsável por muita gente ter se apaixonado pelo jogo e único quarterback que talvez 90% da torcida dos Patriots por aqui tenha visto ser o dono da posição na franquia.

Acho que um sétimo anel pode pesar muito na decisão de Brady já no fim desta temporada e acredito que teremos no máximo 2020 com ele em campo. Além do quê, acho que Belichick não pensaria duas vezes em ter uma conversa franca com o QB e também não o vejo jogando em outro time.

Quando chegar o momento, teremos que vê-lo ir, talvez com algumas lágrimas no olhar, mas sabendo que aproveitamos muito bem essas décadas e que o jogo não acabou. Quem sabe numa sexta rodada por aí surja um novo “contatinho”?


Rafael Belattini

Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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Este post tem 3 comentários

  1. Coluna sensacional, parabéns

  2. Coluna perfeita, me deixou com o coração mole.

  3. Não estou preparada para esse momento….

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