Rafael Belattini: Um fim bonito para uma temporada horrível

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A neve caindo no Gillette Stadium criava o clima perfeito para um domingo de futebol americano. Uma vitória sobre o rival com três passes para touchdown do quarterback titular também sinalizava que o fim da jornada era bonito de ver. 

Pois que ninguém se engane com a última imagem da temporada 2020 do New England Patriots. 

Rafael Belattini: Um fim bonito para uma temporada horrível

Que ela sirva para termos esperança de dias melhores, mas sem qualquer tipo de saudosismo. 

Pois até mesmo a vitória sobre o horrível time do New York Jets teve seus momentos de tensão e demorou a se desenhar em algo fácil como sempre deveria ter sido. 

Agora é hora de, como disse Bill Belichick, respirar um pouco após um ano tão complicado como 2020. Pois, se pararmos para pensar, fomos exigentes como só torcedores dos Patriots, donos de uma dinastia, poderiam ser. 

Depois de 20 anos tivemos um outro quarterback em campo, mudamos nosso estilo de jogo em meio a uma pandemia, sem uma pré-temporada propriamente dita. Perdemos mais jogadores que todas as outras franquias pelo medo da Covid-19. E mesmo assim queríamos título. 

Queríamos principalmente pelo que mostramos nas primeiras semanas, mas nós deveríamos saber mais do que ninguém o quão enganoso é jogar bem ou mal em setembro. O elenco era curto, desajustado e… deu no que deu.

Vida que segue. O passado já está nos livros, só nos resta um rival para secar nos playoffs (parabéns, Dolphins) e não faltam alternativas de equipes por quem podemos nos afeiçoar nos próximos finais de semana. 

Se olharmos para frente perceberemos que com a 15ª escolha no draft, um bom caixa para irmos às compras na free agency e o retorno de quem optou por não jogar, 2021 tem tudo para ser um ano muito melhor que 2020.

Ah, e temos sim uma comissão técnica capaz de fazer uma grande equipe, pois uma dinastia de 20 anos não se constrói por acidente ou com apenas um jogador. Olhem para os Colts, Saints e Packers e vejam o que produziram com Manning, Brees e Rodgers.

E nosso quarterback?

Talvez fosse melhor se nosso QB tivesse uma arrogância do tipo de Josh Rosen, pois seria muito mais fácil descartar qualquer chance dele voltar a vestir a camisa dos Patriots. 

Cam, por outro lado, tem carisma de sobra para muitos até (erroneamente) passarem o pano para os diversos problemas que ele apresentou em 2020.

Mas será que deveríamos tentar com o camisa #1 novamente? 

Bom, eu já defendi que daria mais uma chance com algumas condições, sendo as principais o salário baixo e a consciência de que ele hoje não é um QB titular na NFL, ou seja, teria que saber aceitar numa boa o banco de reservas. 

Se pegarmos um QB no draft, Cam pode ajudar no desenvolvimento do jogador, mostrando os caminhos das pedras.

Além disso, imaginemos que 2021 seja um ano normal e tenhamos a pré-temporada. Um bom desempenho do QB pode chamar atenção de outras franquias desesperadas e uma troca seria interessante.

Outro cenário apresentado é de New England ter em Cam o mesmo coringa que os Saints têm com Taysom Hill. Capaz de lançar (há controvérsias), correr e até receber, sua entrada em campo em situações específicas traria muita confusão na cabeça das defesas adversárias.

Falta tempo para a bola voltar a voar para nós, mas o trabalho já tem que começar a ser feito. 


Rafael Belattini é jornalista com passagem pela ESPN e cobertura de dois Super Bowls. No Patriotas, Belattini escreve sua coluna semanalmente para falar sobre o seu time do coração, o New England Patriots. Siga Rafael Belattini no twitter.

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