Time de Brady ganha mais um round na corte do juiz Berman

Na última terça-feira, houve em Nova York mais uma reunião entre a NFLPA, que representa Tom Brady, e a NFL para que as partes tentassem chegar a um acordo para encerrar a ação judicial que visa revogar a suspensão imposta ao quarterback dos Patriots.

Mais uma vez não houve acordo. E tudo indica que não haverá, já que, conforme informa a maioria dos jornalistas que cobrem o caso, a NFL continua exigindo que Tom Brady aceite as conclusões do Wells Reporte e admita culpa no caso.

Ontem, foi a vez dos advogados de Brady e da NFL comparecerem à corte do juiz Richard Berman para uma audiência da qual Brady e Roger Goodell foram dispensados. Teoricamente, a audiência desta quarta deveria ser a última oportunidade para as partes formularem argumentos, já que o juiz Berman pretente ter a causa encerrada (por acordo entre as partes ou decisão dele) até o dia 04 de setembro.

O que se viu, a exemplo do que houve na semana passada, foi mais uma tarde em que o juiz Berman atacou as graves falhas dos argumentos da NFL.

Time de Brady ganha mais um round na corte do juiz Berman

Se na primeira audiência o juiz questionou argumentos das duas partes, ainda que dirigisse a maioria das perguntas à NFL, ontem o que se viu na corte de Nova York foi praticamente um ataque conjunto de Jeff Kessler (advogado de Brady) e do juiz Berman contra as evidentes falhas nos argumentos da NFL.

Se Jeff Kessler praticamtente não foi interrompido pelo juiz para esclarecimentos na sua defesa, Daniel Nash, advogado da NFL, teve dificuldades para concluir seus argumentos sem que o juiz Berman interrompesse para questionar alguma incongruência, principalmente no tocante à justiça do processo de arbitragem que culminou na suspensão de 4 jogos.

O primeiro grande questionamento foi sobre o fato de a NFL, na ocasião da apelação de Brady, não ter permitido que o jogador ouvisse como testemunha Jeff Pash, advogado co-autor do Wells Report.
“Tem que existir um processo básico de justiça que precisa ser seguido”, disse o juiz Berman. Segundo ele, se Pash participou da elaboração do Wells Report, seu testemunho era importante, e não cabia à NFL proibir que Pash fosse chamado a depor.

Outro ponto atacado foi a ausência de especificação da conduta de Tom Brady em relação ao ocorrido na final da AFC. Como sabemos, a punição inicial se deu pelo fato de, como consta no Wells Report, Brady possivelmente ter consciência de que as bolas eram esvaziadas pelos funcionários dos Patriots.

No entanto, no Wells Report, não há nada que indique que o possível conhecimento de Brady sobre essa infração ocorreu em relação à final da AFC. Não há sequer qualquer indício de conduta ou conhecimento de Brady em relação ao jogo contra os Colts, já que mesmo as conversas entre os funcionários Jastremski e McNally referem-se a um período anteior, da temporada regular.

Posteiormente, o juiz Berman questionou o advogado da NFL sobre não haver detalhamento sobre como Roger Goodell calculou a suspensão de 4 jogos. Os 4 jogos foram pelo suposto envolvimento? Ou foram 2 jogos pelo possível envolvimento e 2 por não cooperação? A NFL nunca especificou.

Esse ponto é muito importante, já que demonstra a falta de critério de Goodell e da NFL em estabelecer a pena. Não há detalhamento porque não há nas regras qualquer previsão de suspensão de jogadores por problemas relacionados a equipamentos de jogo (bolas) ou a não cooperação.

O próprio Nash admitiu que a decisão de Goodell não especifica de onde vieram os 4 jogos.

A rigor, Nash limitou-se a defender o único argumento que acredita favorecer a NFL no caso: alegar que o acordo coletivo dá poderes ao comissário da NFL (Roger Goodell) para punir livremente, de forma discricionária.

Por outro lado, Jeff Kessler sustenta o caso de Brady em 4 argumentos segundo os quais a decisão da NFL de punir não está de acordo com as leis federais:

1. Brady não foi informado de que poderia ser punido;
2. Roger Goodell não era figura imparcial para decidir a apelação;
3. A NFL não possuía parâmetros para a medição da pressão das bolas;
4. O processo da arbitragem que resultou na suspensão não foi justo.

Brady
Jeff Kessler – advogado de Tom Brady.

Após a audiência, o juiz Berman declarou que ambos os lados possuem falhas nos seus argumentos, e que por isso vai tentar que o caso seja resolvido com um acordo entre Tom Brady e a NFL. Para isso, designou nova audiência para o dia 31 de agosto, esta de comparecimento obrigatório para Brady e Goodell.

No entanto, o fato de Berman ter pressionado novamente de forma veemente o advogado da NFL, apontando várias falhas, dá a impressão de que, caso não haja acordo, o juiz pode devidir a favor de Brady.

Por enquanto, a única certeza que temos é que, ainda que o juiz acabe por decidir a favor da NFL e manter a suspensão de Brady, o fará caso entenda que o acordo coletivo dá poderes a Goodell para punir baseado na sua livre vontade.

Assim, ainda que Brady saia derrotado, o juiz Berman já mostrou ao mundo do futebol americano que não há nenhuma prova ou precedente que justifique a punição imposta ao jogador dos Patriots.

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Este post tem 2 comentários

  1. Cade aquele cidadão que outro dia veio aqui questionar que o Roger Goodell queria o melhor pra liga? Ao menos a integridade sai ilesa(no campo né?)

    1. Cara, integridade da liga ja era faz tempo, Goodell ta abusando do poder dele. Se ele se importasse com isso, não queimaria tanto Tom Brady!

      Abs Antonio!

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