Tom Brady, o maior atleta de todos os tempos

Tom Brady

16 de abril de 2000. Segundo dia do Draft de 2000. Sexta rodada, momento em que a maioria dos torcedores sequer presta atenção no recrutamento, uma vez que grande parte dos atletas selecionados nesta fase do Draft nem permanece no elenco para a temporada regular. Todavia, na escolha 199, um certo prospecto denominado de Tom Brady foi escolhido. Desde então, a NFL e o resto do mundo testemunham o maior atleta de todos os tempos, e o Super Bowl LV foi mais uma oportunidade para apreciar e reverenciar o G.O.A.T, com um desempenho espetacular e irrepreensível diante dos Chiefs de Patrick Mahomes.

Entretanto, engana-se quem pensa que o sucesso foi imediato, pelo contrário. Brady foi o quarto quarterback dos Patriots em 2000, que tinha como signal caller Drew Bledsoe, até então o melhor QB da história da franquia. Não havia qualquer expectativa, nem esperança que Brady fosse ser um dia o titular dos Pats.

Todavia, em um despretensioso Patriots x Jets, na semana 2 da temporada 2001, restando 5 minutos para o fim, Drew Bledsoe sofreu um violento tackle do LB Mo Lewis, indo parar no hospital, fazendo com que Brady tivesse que assumir o posto até o fim da partida. Logo após o término do jogo, Brady foi visitar Bledsoe, e teve que convencer os funcionários do hospital de que era reserva de Drew para poder entrar, até encontrar a esposa dele, chorando e desolada, uma vez que a lesão sofrida por Bledsoe poderia acabar com sua carreira e, ainda pior, fez o veterano correr risco de vida.

No hospital, Brady também encontrou com Robert Kraft e Bill Belichick, ambos bastante apreensivos e tensos com a situação, e os três esperaram madrugada a dentro até poder visitar Bledsoe. Quando Drew finalmente acordou, ainda meio grogue, estava ao seu lado o trio que revolucionou a NFL, mas que naquela época era apenas um owner que jamais tinha sido campeão, um técnico sob forte desconfiança e um quarteback que nunca tinha começado uma partida como titular. Nem Hollywood era capaz de escrever tal roteiro.

Sem Bledsoe disponível, Brady agarrou a oportunidade e conseguiu assumir a titularidade de vez, mesmo quando o veterano estava recuperado e pronto para atuar. Belichick deu respaldo a Brady e confiou nele em detrimento a uma estrela que tinha acabado de assinar um contrato de 10 anos, valendo $103M. Foi a melhor decisão da sua carreira.

Contudo, Tom ainda não era nem de perto o quarterback que hoje conhecemos. A defesa e o jogo corrido eram as principais armas dos Patriots. Porém, no maior palco de todos, sendo amplamente zebra, Brady conduziu um drive perfeito diante dos Rams no Super Bowl XXXVI, com um minuto restante no relógio e sem nenhum timeout, apesar do lendário ex-técnico e então comentarista, John Madden, sugerir Tom ajoelhar e ir para prorrogação.

Entretanto, Madden não sabia que Brady tinha nascido para aquele momento, que era tudo que ele mais queria, que ser decisivo e clutch estava no seu DNA. Brady jamais deixaria aquela oportunidade passar, sua história estava apenas começando, e seria com um cartão de visitas perfeito: o primeiro título da história dos Patriots.

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O primeiro anel de Super Bowl de Tom Brady, e um dos mais improváveis da história.

Brady poderia não ter feito mais nada de grandioso ao longo de sua carreira que ele continuaria marcado na história e idolatrado por New England. Mas “só” isso era muito pouco para ele.

Em 2003 e 2004, mais dois Super Bowl para a fera, conseguindo o dificílimo bicampeonato seguido (última equipe a conquistar tal feito). Porém, em 2007 veio o mais duro e doloroso golpe, a derrota no Super Bowl 42 para os Giants, após a melhor temporada de sua carreira e uma campanha de 16-0. Em 2011, novamente para New York, Brady saiu derrotado do Super Bowl, aumentando as dúvidas de se ele poderia voltar a conquistar o Vince Lombardi devido a já estar teoricamente indo para a reta final de sua carreira.

Todavia, Brady não é um atleta comum, que vai regredindo ao passar dos anos, piorando a forma física até ficar sem condições de entrar em campo. Ele é o contrário, como vinho. Através do seu “TB12 Method”, baseado em uma rigorosa dieta, comprometimento e abdicação, capitaneado pelo preparador físico Alex Guerrero, e somado ao seu nível de competitividade absurdo, Tom conseguiu alongar sua carreira de uma forma jamais vista na história.

Jogando em altíssimo nível, Tom conquistou em New England o Super Bowl XLIX, seguido do LI, em uma virada épica que o cravou de vez como o G.O.A.T. Na temporada 2017, mesmo em um ano de MVP e lançando para 505 jardas no Super Bowl, Tom saiu derrotado da finalíssima.

Já aos 40 anos, ele não devia mais nada a ninguém, e já poderia deixar a NFL com seu nome escrito na história como maior de todos os tempos. No entanto, Brady chegou a um patamar que somente ser o maior do futebol americano não era o suficiente, e sabia que tinha gasolina no tanque para mais.

Portanto, embora em um ano mais modesto em números, Tom levou os Patriots a mais um Super Bowl, conquistando seu sexto e último pela franquia, justamente sobre a equipe que faturou o primeiro, os Rams.

Em seu ato final pelos Pats, Brady sofreu com a aposentadoria de Gronkowski e a escassez de recebedores, não sendo possível chegar forte aos playoffs. Era o fim de um ciclo, o mais vencedor e glorioso da história do esporte. 20 anos de puro sucesso, de inúmeros títulos de Super Bowl, conferência e divisão. Algo jamais visto. A maior dinastia de todos os tempos.

Mas Tom é movido por desafios, e sabia que não era a hora de parar. Ele ainda podia ser competitivo e brigar pelo Super Bowl, mas para isso precisava estar em um time já com as peças para disputar imediatamente o título. E achou no Tampa Bay Buccaneers o casamento perfeito.

Uma franquia sem muito que glamour, que desde 2007 não chegava aos playoffs e sem relevância nacional. Mas com dois atrativos: sediar o Super Bowl 55, bem como ter ótimos recebedores em Mike Evans e Chris Godwin, além de Cameron Brate.

Ao pousar na Flórida, Brady desembarcou com toda sua cultura de campeão, seu pensamento vencedor, que contaminou um elenco que não sabia o que era ganhar. Trouxe ainda Rob Gronkowski, seu fiel escudeiro e melhor dupla que teve, bem como Antonio Brown, com quem queria ter tido mais tempo para trabalhar em 2019.

Com 43 anos de idade, Brady sabia que era uma oportunidade única e última de fazer dos Bucs o primeiro time a jogar um Super Bowl em seus domínios, além de conseguir o que lendas dos esportes não alcançaram: sucesso ao sair de sua franquia matriz, a que o promoveu e “fez seu nome”.

E Tom atingiu seu objetivo, mais do que isso, ele mostrou que o céu jamais foi o limite para sua grandeza. Brady mudou de conferência e aceitou o desafio de enfrentar os dois nomes mais lendários do século da NFC, passando por cima de Drew Brees e Aaron Rodgers nos playoffs.

No Super Bowl, ele encarou Patrick Mahomes, o atual melhor quarterback da NFL, um talento geracional e que certamente voltará à final no futuro, e não só impediu o bicampeonato seguido dos Chiefs, como destruiu o time de Kansas, sendo o responsável pelas únicas duas derrotas de Mahomes na carreira na pós-temporada. Brady simplesmente jogou de terno e gravata na finalíssima, com toda sua experiência e inteligência, e reeditou sua dupla mortal com Gronk, trazendo as melhores lembranças da década passada.

O camisa 12 fez o que há um ano atrás falariam que era impossível: levar o Buccaneers ao título. Muito mais do que isso, Brady banalizou o Super Bowl, ele faz parecer fácil ser campeão, tudo isso na liga de esporte coletivo mais equilibrada do mundo, e os números não mentem.

Com seu sétimo título, “Tom Brady FC” agora ultrapassou os Patriots, 49ers e Steelers e virou o com mais Super Bowls na história. Para se ter uma noção, na NBA, Lakers e Celtics têm 17 títulos cada. Na Liga dos Campeões, o Real Madrid tem 13. Na MLB, desde 1970, os Yankees têm 11. Logo, não há dúvidas sobre o equilíbrio da NFL.

Ademais, Brady mostrou em 2020/2021, além de toda sua mentalidade vencedora, ser o Senhor do Tempo, o único atleta capaz de ficar no topo por tanto tempo, sem entrar em declínio notório e continuando a se motivar e se superar.

Portanto, Tom Brady, em toda sua carreira, quebrou paradigmas, desafiou a lógica, mostrou que com comprometimento, trabalho duro, responsabilidade, abdicação e esforço é possível atingir feitos inimagináveis.

Brady pode até não ser o melhor e mais talentoso atleta da história, concordo que não tem uma projeção mundial como um Michael Jordan, Maradona, Pelé, Michael Phelps, Usain Bolt, entre outros.

Todavia, o domínio do tempo com maestria, a mentalidade vencedora, a competividade inabalável, o poder de decisão, a incansável disposição para ser melhor a cada dia, o comprometimento absoluto, a insaciável fome de títulos e a constância absurda fazem de Tom Brady, sem dúvidas, o maior atleta de todos os tempos.

Um mortal, que com muito esforço e determinação, provou que é possível virar imortal.


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Este post tem um comentário

  1. Parabéns pelo texto Arthur! Senti a paixão nas palavras durante todo o texto. A trajetória do Brady é inimaginável mesmo. Melhor atleta de todos os tempos. Sobre a conquista do Super Bowl LX, pra mim ficou um misto de felicidade pelo sétimo título dele, com a vontade que fosse pelos Patriots. Entendo que, principalmente essa temporada, os Pats mesmo com o Brady não conseguiria ir muito longe. Também, eu gostaria que a relação fosse parecida a com o Kobe Bryant, jogador de um só time. Enfim, ele escolheu esse caminho, faz parte, vida que segue. Torço pro Lakers e Yankees. Tudo começou por volta de 2010. Aliás, parabéns pelo site! Sempre os acompanho por aqui e pelo podcast. Abraço!

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